E agora, José?
Moysés Pinto Neto
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“Não é possível tomar isso como insignificante e precisamos de um nome para isso (golpe, por exemplo?)”.

Nisto que estou travado. As várias leituras que descrevem o impeachment como um <mero> desdobramento e nada mais, tendem a forçar a mão na continuidade e dissolver o acontecimento. Quando pergunto o que foi que se deu? Me respondem: nada. Mas então como saímos daquela pressão política imensa de maio, quando uma presidenta nem ministro nomeava pra esta outra em que ministro delatado segue tranquilamente? O que foi que se deu que a pressão baixou tanto? Isso é concreto demais. Na nomeação do Lula a Esplanada foi fechada porque precisou ser fechada, as pessoas invadiram aquilo lá tomadas de raiva. Hoje tinha um muro separando nada de coisa nenhuma. O muro estava lá, mas quase ninguém se interessou em ocupar os espaços da bipolaridade.

A única categoria narrativa que consegue ter força explanativa e emotiva, infelizmente, é “golpe”. Nada é tão potente. Acho que seria o caso, então, de morder a pílula. Aceitar a categoria e problematizar por cima. Um pouco o que o Paulo Arantes fez. A gente aceita as premissas de forma radical, deixando ela se mostrar caduca por ela mesma.

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