A inteligência artificial vai matar o Web design?

A UX Mag publicou um artigo sobre o futuro da automatização e a aplicação de inteligência artificial na criação de interfaces web. O texto explana sobre como o usuário procura (cada vez mais) experiências personalizadas e como isso vai ser suprido por inteligência artificial. E essa experiência pode ser através da disposição de elementos diferenciados, conteúdos exclusivos alinhados ao seu perfil e muito mais. São inúmeras possibilidades.

Um exemplo dessa criação contextualizada é a startup thegrid.io que cria sites simples baseado em decisões semânticas. É incrível e assustador ao mesmo tempo. O texto mostra como a nossa área pode morrer e/ou se transformar num futuro próximo.

O texto completo está nesse link, e vale a pena a leitura. Mas, eu fiz essa introdução para expor dois pontos:

1. Esse “futuro” já começou

O autor não reparou que esse “futuro” já começou (como na vinheta de fim de ano da Globo). E-commerces já possuem sistemas de personalização de banner e de produtos, ad exchanges já adaptam campanhas através de sistemas inteligentes e grandes portais são bastante dinâmicos. Os grandes sites já usam ferramentas que estão diminuindo drasticamente áreas criativas, principalmente o trabalho bruto.

Banners, call-to-action e estilos visuais já são decididos pelo contexto do usuário e refletem o perfil do usuário padrão. Não é gosto ou preferência do designer. Ou você acha que os Designers de Interface da Amazon adoram aquele botão comprar? Style Guides de grandes sites são mais baseados em performance de testes, do que na genialidade dos criativos.

Atualmente, usam lógica baseada na navegação do usuário para decidir os produtos que aparecem numa vitrine de um grande e-commerce por exemplo, porque o restante também não será assim?

E, digo mais, no momento que a própria ferramenta propor os testes e validar a performance, o trabalho do designer de interface se transformará numa mera consulta. Pois, essa ferramenta ainda vai criar variações dependendo do perfil do usuário. Um botão poderá ser pequeno e moderno para um jovem ou grande e vermelho para um idoso, por exemplo. E tudo baseado em performance.

2. O custo sempre irá falar mais alto

O texto fala que a inteligência artificial não vai matar a nossa profissão, tem a questão da empatia/genialidade/afins… mas já está matando. Como citei acima, equipes de design estão sendo drasticamente reduzidas pela automatização, não é apenas a crise. O custo sempre irá falar mais alto. Se você entregar um sistema que reduz 50% da equipe e mantem a performance, isso vai acontecer.

Se a inteligência artificial crescer a ponto de entregar algo bem complexo e preciso, podemos dizer tchau para a maioria dos cargos. Ela poderá criar, testar e validar vertentes e variações que são impossíveis para qualquer equipe. Vamos ser apenas validadores/gerentes desse serviço.

Concordo que o digital designer não irá morrer. Porém ele vai precisar se reinventar e aprender novas habilidades. Ou vai ser substituído por um data scientist…