Sobre cães, de onde vêm e aonde vão

Se neste exato instante eu fosse aquele cachorro preto peludo que tá olhando fixamente pra mim com cara de cão sem dono, de fato sendo, talvez não estivesse pensando no texto que tenho que escrever porque cães não escrevem nem têm blog, talvez estivesse pensando no humano ao qual encarava, neste instante eu, e desistiria de lhe (me) encarar, ia prosseguir caminho pela rua, encontrar outro cachorro preto peludo que encara gente e começaria a latir pra ele, travando um diálogo, uma discussão ou quem sabe um debate filosófico que não seria entendido pelos humanos e poderia dar margem a um texto sobre cachorros ou quem sabe a um estudo sobre comportamento canino e sua convivência em sociedade, talvez eu saísse dali e continuasse a andar pela rua, sem rumo, sem pensar em nada, sem me preocupar com nada ou talvez com comida, ou com água, ou com uma cadela no cio, ou em encarar humanos que pensam em textos e mantêm blogs e se imaginam no lugar de cães que agora andam por aí pensando em qualquer coisa. Mas não sou o cão e preciso de um texto pronto pra amanhã que talvez seja sobre cães, talvez não, mas é.