O contraste entre o romântico e o dark de Bora Aksu
Eu estive em três edições do London Fashion Week, e em todas elas eu fui ao desfile do Bora Aksu. Na última temporada eu cheguei atrasada, entrei correndo, e nem lembrava em qual desfile eu estava. Logo quando começou, sem nenhum nome ou indicação, eu já sabia que era dele.
Essa para mim é a principal característica da marca: a identidade. É muito difícil uma marca jovem conseguir estabelecer uma consistência tão forte em tão pouco tempo, e ser identificada dessa maneira mesmo estando longe das mídias tradicionais e das vitrines nas ruas.
As principais marcas de luxo do mundo levaram décadas para conseguir estabelecer essa relação quase que imediata de identificação com o público. É claro que hoje tudo isso acontece muito mais rapidamente, mas em nenhum momento tira o mérito de Bora Asku ao ser tão assertivo, sem perder a criatividade.
Bora Aksu é um estilista turco que vive em Londres há 15 anos e terminou seu mestrado na Central Saint Martins em 2002. Sua estreia solo foi em um desfile patrocinado pelo grupo ARG, que aconteceu fora da programação oficial do London Fashion Week em fevereiro de 2013.
O desfile foi nomeado “um dos melhores cinco desfiles da temporada”, e garantiu sua presença na programação oficial da semana de moda. Além disso, ele foi o vencedor de quatro “New Generation Awards” consecutivos, e já teve peças adquiridas por ninguém menos que Domenico Dolce e Stefano Gabbana para servirem de inspiração.
Hoje, as peças de Bora Aksu são vendidas na Ásia, no Oriente Médio, na Inglaterra e na Itália, sendo lançadas quatro coleções por ano. O designer lançou também uma linha de lingerie, e no inverno de 2012 desenvolveu uma linha de bolsas exclusiva para a loja de departamentos londrina Harrods.
Seguindo a onda de colaborações entre os designers de prêt-à-porter e marcas de consumo de massa, ele também trabalhou em parceria com marcas internacionais como Topshop, Nike, Converse e Anthropologie, e esteve em sete vitrines da Selfridges.
Notável e Incomum
Bora Aksu é bastante discreto e raramente dá entrevistas. Quem o acompanha pelo Instagram pode conhecer ainda o trabalho mais artístico do designer, que costuma postar fotografias de seus desenhos e pinturas a óleo.

Segundo o próprio designer na sua apresentação no site do London Fashion Week, seu ponto de equilíbrio é balancear os contrastes entre o romântico e o dark, o que ficou bastante evidente na sua última coleção de primavera-verão 2015.
Bora Aksu procura fugir do lugar-comum, e quando questionado sobre alguém que ele gostaria poder vestir, sua resposta é a Princesa Tyra da Dinamarca, quem ele define como um personagem interessante para sua época, e com uma beleza notável e incomum, descrição que cabe muito bem para descrever o espírito do seu trabalho.
Primavera-Verão 2015
A coleção primavera-verão de Bora Aksu se chama “A Dancer with Wings” e foi inspirada na coleção de bonecas de papel da Rainha Vitória, especialmente na boneca com a qual ela homenageava a bailarina Marie Taglioni.
Unindo a leveza das bonecas de papel com o drama da carreira e da dança de Marie Taglioni, o designer apresentou uma coleção leve e feminina do começo ao fim, com transparências, babados, camadas, e crochê e bordados feitos à mão.

Os principais materiais foram o algodão, a seda, a organza e o tule, e o desfile começou com looks totalmente brancos, que aos poucos ganharam toques de rosa e pêssego, e foram escurecendo, até chegar ao roxo, azul cobalto e preto. A dramaticidade dos looks foi aumentando cada vez mais, exponencialmente.
O desfile ainda trouxe a primeira coleção de óculos escuros da marca, desenhada por TD Tom Davies, e uma coleção de joias feitas à mão e sob medida pela Halo & Co com cristais Swarovski e tecidos da coleção.