Páginas em branco pra falar de amor
Há muito tempo tenho fugido das páginas em branco. Parece que tem muita coisa presa aqui dentro, mas falta aquele impulso de enfrentar as primeiras linhas tortas e as incertezas de como começar.
Que difícil falar de amor quando você começa a duvidar se algum dia chegou a realmente senti-lo.
Já faz tanto tempo, será que era aquilo mesmo que eu pensava ou todos os sintomas eram fruto do que eu imaginava que seria amar alguém.
A gente aprende a amar com a maturidade, será? Com um relacionamento? O amor platônico é só uma idealização que nunca se concretiza e, portanto, não pode ser considerado amar?
Se for assim, talvez eu não seja tão qualificada pra falar sobre assunto sério. Como pode ser que o sentimento que eu acreditava ser tão familiar, de repente, seja dúvida de que sequer tenha existido?
Será crise tardia dos 20 e poucos ou adiantada dos 30? Será medo de nunca amar de verdade e descobrir que o antigo amor nunca foi real?
Não tenho medo de amar sozinha, talvez o tenha feito em todas as vezes que acreditei estar amando. Mas descobrir que nunca de fato o fiz seria devastador.
Eu sei que não é um sentimento reservado aos poetas, romancistas ou músicos em busca de uma rima rica. Mas seria o amor proibido para alguém que se machucou quando acreditou estar amando e deixou o tempo correr demais para proteger o coração partido?
