jornalismo, cultura e melancolia
Hoje ouvia podcast de uma jornalista cultural francesa, já tradicional, entrevistando A jornalista de cultura do Le Monde desde o pós-guerra.
A veterana explica como ia carregada de livros para festivais, dos colegas que riam dela. Um tempo em que jornalistas liam muito e escreviam melhor e… com mais tempo.
Yvonne Baby, a veterana, lamentando justamente isso: antes, tinham tempo o suficiente pra escrever seus artigos, que precisavam apresentar reflexão.
Outro dia, no Ugra Fest, se falava sobre jornalismo de quadrinhos e a importância do “registro”. O que a Baby diz, é que o jornalismo cultural não deveria prezar o registro, mas o pensamento. Escrever analisando. Ela e a Laura Adler, que a entrevista, soam até melancólicas.
O pior de tudo é que esse programa da Adler, Hors Champs*, foi um dos abandonados na demissão em massa de jornalistas da rádio France Culture.
A “informação”, que nasce com o jornal, parece que acabou matando o jornalismo. Virou informação pura, sem dono, despejada sem filtro online.
*Ano passado ela recusou o convite de Hollande para ser ministra da Cultura. Acreditou que fosse trote. http://www.rtl.fr/actu/politique/remaniement-ministeriel-la-journaliste-laure-adler-a-refuse-le-ministere-de-la-culture-car-elle-croyait-a-un-canular-7782035534
