6 dicas sobre neuromarketing para melhorar sua estratégia

Neuromarketing ainda é uma área relativamente nova que estuda como nosso cérebro responde ao marketing e como isso afeta nosso comportamento, seja consciente ou inconscientemente e com certeza ainda teremos milhares de outras descobertas e aperfeiçoamentos no decorrer dos anos — principalmente agora que há a possibilidade de um erro anular 10 anos de estudos!

Obstáculos à parte, o desafio é tentar entender como nossa cultura e influências externas, combinada às reações biológicas e involuntárias afetam nossas decisões. É um mundo tão complexo, pois cada indivíduo, apesar de crescer na mesma sociedade, tem suas próprias características. Por isso, é necessário centenas de análises com reações neurológicas, resultado do nosso subconsciente para tentar encontrar um padrão de comportamento nisso tudo.

Devido a todos estes detalhes, entender como nosso cérebro processa informações e imagens se torna uma tarefa bem complicada, mas a competição pela atenção do target é bem alta, por isso saber como ativar reações involuntárias, que acontecem antes mesmo de você notar pode ser uma força diferencial nesta equação para que sua marca seja a vencedora. Por isso, aqui vão algumas dicas rápidas do que os neurocientistas já podem nos contar e que pode te ajudar nas campanhas.

TODOS NÓS TEMOS CÉREBROS AINDA PRIMITIVOS

Não adianta, nós não conseguimos resistir: é instintivo. Nosso cérebro foi treinado para reagir a determinados estímulos, para sobrevivência. Como já falei neste post e neste outro aqui a amígdala — localizada no cérebro reptiliano — controla nossas reações e emoções e funciona muito mais rápido que nosso consciente, nosso lado racional. Para ser mais exata, estas reações acontecem em apenas 3 segundos ou até menos. E se houver alguma conexão mais emotiva, esta reação é ainda mais forte.

COMO APLICAR ISSO NO MARKETING?

Os posts citados já falam sobre gatilhos mentais, que são táticas já muito usadas que fazem seu cérebro reagir a instintos para não perder algo. Mas lembre-se: estas ferramentas já são muito usadas, o que você pode fazer para ir além e criar uma forte conexão? Procure a emoção. O que, dentro do território da sua marca, pode se conectar com a vida do seu target? Uma memória do passado (nostalgia), familiar? Superação, incentivo, adrenalina? Pense no porquê da sua marca existir e o que ela pode oferecer para o público. Resumidamente: você é o remédio, qual a dor do seu público que você vai curar?

Além disso, faça um “raio x” da sua campanha e canais de contato e preste atenção no que as pessoas vão ver primeiro. Num e-mail marketing por exemplo, o assunto e o pre-header são os 2 itens que mais merecem atenção — é aqui que você precisa ganhar os leitores falando sobre suas dores, vontades, necessidades e emoções. Já num blog ou qualquer outro tipo de plataforma que você utiliza conteúdo, nem preciso dizer que o título merece tanta ou mais atenção que o próprio texto, não é mesmo?

NOSSO CÉREBRO AMA IMAGENS

Nossa mente processa imagens muito mais rápido que textos. Não é à toa que as ferramentas de Design Thinking são baseadas em imagens: aproximadamente 90 por cento de toda a informação que o cérebro processa é visual. Duvida? Faça o teste com a imagem abaixo:

No lado esquerdo você precisa ler, entender, processar para formar a imagem na cabeça e então sentir alguma vontade. Ao passo que, no lado direito é quase instantâneo. Por isso, nós assimilamos e lembramos muito mais do combo “imagem + texto” do que apenas o texto.

COMO APLICAR ISSO NO MARKETING?

Obviamente: use imagens. Mas faça-as serem especiais, impactantes, que o público se inspire, ou se identifique com ela. Seja direto e claro na sua mensagem. Pode ser literal — como a imagem do produto — ou aspiracional — mostrando o efeito daquele produto na pessoa, por exemplo. Você pode utilizar imagens do seu próprio público na sua campanha — além de gerar empatia e identificação, ainda trabalha o status. Ou ainda, utilizar humor (quando couber, claro) para representar uma situação que seu cliente pode presenciar. O que mais você pode fazer para criar um laço emocional, dentro do seu território?

NOSSO CÉREBRO TAMBÉM AMA IMAGENS DE ROSTOS

A Netflix é a maior prova de marca que já testou e entendeu este ponto, como já falei neste post aqui. Desde o nascimento, nós somos ligados à rostos humanos para reconhecer nossos pais, por exemplo. Por isso, campanhas que mostram as características do ‘personagem’ (ou a própria emoção) no rosto facilitam a identificação e rápida ligação emocional.

COMO APLICAR ISSO NO MARKETING?

Use imagens de pessoas reais nas suas campanhas e considere a possibilidade de utilizar rostos até mesmo nas landing pages, e-mails e site pra despertar algum desejo mais forte de ação. Segundo estudos feitos com ferramentas de eye-tracking, nosso cérebro, por padrão, irá olhar primeiro nos rostos que reconhecer na página. Quer mais? Em seguida, eles olharão na direção que os rostos estão olhando. (neurônios espelhos em ação!). Então, anota aí: use imagens de rosto humano que estejam olhando em direção ao seu “Call to Action”!

CORES TAMBÉM CAUSAM SENSAÇÕES

Isso já não é nenhuma novidade, né? Na hora de escolher as cores da campanha, devemos pensar um pouquinho além da estética, pois elas têm diferentes significados e impacto no cérebro. Mais precisamente, pesquisas mostram que de 62 a 90 por cento das nossas sensações sobre um determinado produto é determinado apenas por sua cor. Dá uma olhadinha neste infográfico pra entender melhor.

COMO APLICAR ISSO NO MARKETING?

Há toda uma ciência por trás da escolha das cores e empresas especializadas nisso para não errar. Porém, como aplicar tudo isso no dia a dia? Utilize a cor laranja para botões “compre agora”, por exemplo, pois é amigável e transmite confiança. Se quer chamar atenção para uma oferta por tempo limitado, que está acabando, nos últimos dias, o vermelho pode despertar este interesse.

Faça teste A/B e veja qual cor tem melhor reação. Além disso, analise também outras grandes marcas com este olhar observador. Entre em sites de e-commerce, assine newsletters e acompanhe outras páginas para analisar quais cores, além do manual da marca, eles utilizam.

NOMES MUDAM O COMPORTAMENTO

O jeito que você nomeia seus produtos ou serviços pode afetar o consumo. Seja falando sobre triggers de varejo (apenas hoje / últimas unidades / exclusivo / 100% off), ou o nome do produto em si. Um estudo recente feito por David R Just e Brian Wanskin, da Cornell University Food and Brand Lab na Califórnia mostrou que chamar a porção de espaguete de “tamanho duplo” ao invés de “regular” fez com que os clientes comessem menos, por achar que estariam comendo de mais. A porção não mudou de tamanho, apenas o nome, mas isso impactou na atitude e impactaria também no quanto as pessoas estariam dispostas a pagar pelo prato.

Recentemente cientistas construíram um mapa monstrando como as palavras e seus significados são apresentas nas diferentes regiões do cérebro. O impacto dos nomes e uso de palavras pode ser positivo ou negativo, se conectar com emoções e lembranças e ativar diferentes sentidos. Por isso, tudo deve ser pensado estrategicamente.

COMO APLICAR ISSO NO MARKETING?

Os e-commerces e lojas de shopping já se aproveitam bastante das vitrines com palavras que ativam o instinto de sobrevivência do ser humano, que precisa adquirir aquilo, se não vai ficar sem.

Como você está nomeando os produtos no seu site? Uma linguagem muito técnica é menos amigável e pode afastar os clientes. Procure sempre ter uma linguagem mais próxima, clara e positiva na comunicação.

Quando estiver trabalhando o conteúdo da sua página, ou site, procure pensar em uma atmosfera de palavras chave positivas que você possa associar sempre com seu produto ou marca. Faça o exercício: veja as palavras que algumas marcas mais usam no conteúdo para criar uma atmosfera de natureza, ou de beleza, bem estar, de saúde. Agora entenda o que a sua marca é, o que ela oferece e proporciona e em quais momentos e situações na vida do público para montar o seu espectro.

NÓS PRECISAMOS SENTIR QUE PERTENCEMOS, FAZEMOS PARTE DE ALGO

É uma necessidade do ser humano se sentir parte de algo. Quando você é adolescente, todas as suas ações são para que você seja aceito pelo grupo, para que pertença aquele mundo. Não é só porque você cresceu que isso mudou.

COMO APLICAR ISSO NO MARKETING?

Seja inclusivo. Tente utilizar uma linguagem menos imperativa e mais inclusiva. Ao invés de apenas “Assine a newsletter”, tente algo como “Já somos mais de 50.000 apaixonados por fotos. Junte-se a nós e fique por dentro de todas as novidades e descontos!”

BÔNUS

De nada irá adiantar saber todas estas dicas se você não conhecer a fundo a marca trabalhada, a sua essência, o porquê da sua existência, quem é ela, o que e sobre o que pode ou não pode falar. Não há uma fórmula certa, mas você deve entender tanto sobre a marca, produto ou serviço em questão, quanto do comportamento do seu target. Esta é a única maneira para você saber do que eles gostam, o que procuram e por qual linguagem e abordagem irão mais se interessar.

Faça testes. Analise, mensure, acompanhe os resultados e vá lapidando aos poucos sua campanha. Só assim você vai conseguir unir as 2 pontas e fazer com que a roda gire.

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Este post foi originalmente publicado no Blog da Media Education.