Mar, metáfora do encontro de quereres

Certa vez alguém me disse, não exatamente com essas palavras, que o sentimento sereno de águas doces no começo dos encontros e conheceres afetivo-amorosos transformam-se, com o tempo, no descontrole de oceanos inteiros. Pensei eu, pensei “Timoneiro”, começo e meios e medos, então fui passear na costa…

Caminho à beira-mar, sinto os primeiros carinhos nos pés que se afundam passo a passo na areia e o desejo por aquelas águas que arrepiaram a pele desde a primeira mirada da orla. A vontade de ser envolvida demorado tempo por aquelas águas cresce ao caminhar… Quanto mais intenso tato corpo-mar com mais intimidade contorna-se o corpo todo, sinto o manto azul cobrir-me as pernas, cirandar meus quadris no vem-vai úmido que chega à cintura… Já não controlo o passo, reluto às águas, entrego-me, reluto, entrego-me — viver nua de razões não pede mais do que corpo-manifesto íntimo, intuitivo, viver não pede mais do que a dança — Volto a mim, que fechei os olhos com ânsia de sentir na inteireza o ziguezazear eu-maré, já não me navego mais. Em meio à ressaca que me engole quente e bravia significo o abraço.

Metáfora do encontro de quereres é o mar.
Caos. Remanso.

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