O turbante mágico de Eliane Brum
Guilherme Assis
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Apesar de baterem na tecla do turbante, apropriação cultural e outras cositas más, não se trata de uma discussão sobre direitos, muito menos sobre quem pode ou não, usar qualquer coisa… Trata-se de uma discussão sobre racismo nosso de cada dia… Chega a ser irritante a repetição das reações:

- indiferença

- arrogância

- negação

- complacência

- admissão

- ironia

- hipocrisia

O episódio do turbante é excelente para contrapor posiçoes éticas, muito mais do que estéticas..

Trata-se de uma discussão sobre respeito. O uso do turbante, como nos alertam as mulheres negras, expressa a afirmação de identidade, origem e pertencimento. É sempre útil relembrar que esses direitos são os primeiros a serem negados e excluídos a quem o sistema quer humilhar, subjugar, e escravizar. Essa tecnologia foi aplicada no colonialismo e refinada no nazismo. Nao basta subjugar o corpo, há que destruir a auto-estima e eliminar a alma.

O que precisamos enxergar é que a nossa indiferença, nos torna 100% cúmplices e agentes do racismo nosso de cada dia. Incapaz de enxergar um palmo adiante do nariz, brancos, somos todos inertes racistas de bom coração. Cristãos que tem a petulância de achar que a piedade é sentimento nobre.

O irritante nessa discussão é que a arrogância dos brancos é quase insolúvel! Reside na certeza de que tudo pode. Quem nunca teve limites em razao de sua raça/cor se acha no direito de poder tudo. São os subprodutos da “ideologia” da meritocracia — eu posso, eu mereço.

Eliane Brum merece respeito porque tem caráter para abordar o racismo quando todos se calam. É muito fácil apedrejar quem se posiciona.

Precisamos de muito, muito mais reconhecimento, respeito e solidariedade!

Como diz Chico César: respeitem nosso cabelos, brancos..

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