O nome importa.

São 02:00 da madrugada, e sento no sofá trabalhando no meu TCC quando vejo que por algum motivo esquecido anotei a data do ENEM na minha agenda e me sinto compelida a me expor quanto ao assunto.

Eu (ainda) sou a criança que sempre soube o que queria “ser quando crescer”. Não demora muito para a palavra Direito sair de mim com um sorriso, a sensação é a mesma de quando, com poucos anos, no fim do dia eu desfilava no meio das risadas dos meus pais com o salto da minha mãe…e o terno do meu pai, ou quando alguém inesperadamente me faz uma pergunta jurídica no meio da balada.

O que eu queria fazer da minha vida nunca foi uma pergunta tão assustadora quanto o por que eu queria fazer isso. Eu não tenho nada contra admitir que uma resposta sincera e completa só foi formada depois de 4 semestres completos na faculdade. Nunca foi justiça, nem mercado de trabalho, nem porque eu sempre me vi fazendo isso ou porque tenho pessoas da profissão na minha vida. Na verdade, é quase uma piada interna entre eu e o universo.

Mas enfim. Faculdade foi um choque. O maior não foi entrar, foi descobrir só na oitava série que iriam me julgar por qual eu fizesse, e imagino que algum professor enfartou quando ouviu alguém com 14 anos perguntando o que era USP sendo que naquele colégio pessoas se preparavam desde os 7 para isso.

Acontece que fui criada escutando que eu estudaria para vida, não para uma faculdade. A frase “Não é a faculdade que faz o aluno” era uma constante cansativa, mas que deveria ter sido dita muito mais. O caos do vestibular se instalou, pelos professores, pelos colegas, por mim mesma, e por incrível que pareça, nunca pelos meus pais.

Se tornou obvio que um ranking de faculdades era algo que as pessoas esperavam ouvir. USP, PUC, Mackenzie e FMU. Eu sou aluna da FMU, minha última e primeira real escolha. O mais comum é você prestar para USP sem realmente esperar passar. PUC era uma escolha séria, mas vinha acompanhada por ‘pelo menos PUC’. Nunca levei a opção do Mackenzie a sério. E a FMU sempre vinha acompanhada de preconceito, mas que no final, era a que me fazia compreender o quanto eu realmente queria estudar, não importa onde fosse.

A FMU pode ter o maior nível de empregabilidade, centenas de professores excelentes e grande parte dos alunos mais esforçados que já vi, mas sofre muito preconceito. É uma faculdade de pessoas reais, e sim, o filhinho de papai vai sim sentar do lado da doméstica que rala para pagar a mensalidade, do aluno prouni, da dondoca, do que for, todos estão ali nas mesmas condições. Eu já escutei absurdos por estudar lá. Da pessoa na esquina até os amigos mais próximos.

E não falo isso com a mínima intenção de influenciar alguém seguir o meu caminho, digo tudo isso para dizer:

1) Não é a faculdade que faz o aluno. Não estude simplesmente para entrar em algum lugar. Estude porque gosta de algo que ache que valha a pena obter conhecimento. E se você não tem recursos, seja para a faculdade ou cursinho. Pesquise muito sobre bolsas e cursinhos gratuitos, converse com as pessoas próximas, quem sabe a importância do conhecimento sempre está disposto a ajudar.

2) Se você não sabe o que quer estudar provavelmente quer dizer que não viveu o suficiente para descobrir isso. Vá viver. Arranje um trabalho, viaje, o que seja, a faculdade vai estar disponível SEMPRE, entre com 20 anos ou com 40, não importa. Um ano de estudo pré vestibular para um curso que você anseia vale muito mais do que dois ou três gastos em cursinho ou uma faculdade que não é o que você quer.

3) O ENEM, o vestibular, o que for, é só uma prova, uma nota, que nunca vai conseguir precisar o seu nível de conhecimento. Muitas provas assim são físicas, quem consegue se sentar confortável por mais tempo, quem consegue se controlar sob pressão ou quem consegue manter o foco por mais de 5 horas nas mesmas folhas de papel.

4) Tente não se pressionar a fazer uma escolha, a vida na maioria das vezes tem uma maneira louca de nos mostrar o caminho. Se isso não acontecer, saiba que existem pessoas que podem te ajudar, como orientadores vocacionais. Você pode ainda experimentar cursos ou trabalhos avulsos para evidenciar o que te faz feliz.

5) Seja feliz sabendo que as vezes a vida não é puramente decisões e sim como você as faz ou deixa de fazer.