O terceiro.

Infelizmente tive a infeliz ideia de acreditar que ele me amava, que a possessão e o ciúmes dele eram normais.

Ele me bateu a primeira vez, chorou, se arrependeu.

Me bateu a segunda. Eu trabalhava com a banda dele na época.

As únicas coisas que lembro dessa relação são lembranças terríveis.

Um dia estávamos com amigos, em dois carros, eu desci pra fazer xixi não olhei pra trás e bati a porta. Quando estava caminhando até o banheiro ele me seguiu, furioso, alegando que eu não tinha pedido permissão para ir ao banheiro e tinha batido a porta na cara dele.

Estávamos na Osvaldo Aranha, ele me pegou pelos braços, me empurrou contra um poste, bateu no meu rosto, meus braços ficaram roxos, eu não conseguia me mexer, ele era mais forte que eu.

Carros passavam e buzinavam, em algum momento ele me soltou e eu corri pro banheiro. Lá me tranquei. Ele batia tão forte na porta que achei que ia quebrar, ele ia me matar ali mesmo, num posto de gasolina, no banheiro.

Chegaram os amigos que não entenderam bem a situação e tentaram apaziguar.

Ninguém fez nada com ele, nem eu. Nunca.

Eu acreditava que era amor. Aquele era o amor que eu merecia.

Resumindo a história, terminamos porque pintei o cabelo sem autorização dele.

Ele voltou com a ex namorada e eu simplesmente não tinha mais valor algum.

Estava machucada em todos os sentidos, a auto estima de novo não existia. A confiança nas pessoas menos ainda.

O monstro dentro de mim, a culpa de ter ficado nessa situação me consumia, eu tinha vergonha de contar as pessoas. Era verão, eu passava de mangas compridas porque meus braços estavam todos machucados.

Esse foi o terceiro.