Nó na garganta

Maio de 2015.

Tenho 35 anos.

Minha mãe tem 60 e um aneurisma que quis romper.

E eu nem imaginava o que este aneurisma faria com a minha vida.

Antes dele eu já vinha passando por uma daquelas crises existenciais, me via apática e sem perspectivas. Acho que de ver o tempo passar e eu ainda ter dúvida sobre tanta coisa.

Ela. Uma heroína, uma ídola, forte e resiliente, arrimo de (várias) famílias; de repente ali, à mercê da sorte e da boa vontade de quem tratasse dela. E olhando de perto, ei, é a Minha Mãe! Mas o que é isso que está acontecendo?

Eu não posso existir sem minha mãe, Deus sabe disso e deve estar equivocado! Eu ainda tenho muito o que conversar com ela, preciso falar do quanto sou carente de sua atenção e ainda quero que ela sinta orgulho de mim! Ela não pode ficar doente! Com quem é que eu posso falar sobre esse engano? Eu falo bem, convenço as pessoas! Posso pagar pra que isso desapareça também! Tem alguém aí?

Cirurgia. Segura essa tua gana porque agora você é tão pequena, mas tão pequena, que só te resta ficar ali, minúscula, sentada, suplicando, que alguém saia por aquela porta com o esboço de um sorriso nos lábios.

3 horas 4 horas, sei lá. Foram anos ali, pequena, rezando.

“Deu tudo certo, a cirurgia foi um sucesso”. Vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem.

Dali pra frente, eu nunca mais seria a mesma.