Um Desafio

Em 30 dias, minha empresa faz 11 anos. Do décimo até hoje, eu venho numa meditação silenciosa, questionando muita coisa, olhando com mais profundidade pro que eu ando fazendo. Vem crescendo uma vontade de fazer mais e diferente. Eu ainda não sei o que vai se tornar, mas tá aqui, flutuando acima da minha cabeça. Ainda disforme, mas estou alimentando com essas coisas todas que alimentam meus dias — do que eu busco ao que me encontra. Vamos ver no que vai dar.


Ah! A tela em branco! Aquilo que acaba com a criatividade quase instantaneamente. É só começar um novo texto que — tóim — a tela em branco ataca. É o estopim de uma revolta interna contra a criatividade, motivada pela grande vilã Autocrytsis. Parece a Malévola, com o espelho e tal, vivendo em seu castelo cheio de líquens nas paredes e ansiando por mais um instante no qual uma tela em branco surge em algum lugar do mundo humano para atacar o cérebro do reles mortal e consumir aquele sentimento como um Dementador… Ah! A criatividade…


Eu me lembro de ter sido uma criança muito criativa. Algum tempo atrás, encontrei uma poesia que escrevi com uns 11 anos. Com 12, comecei a desenhar no computador, num programinha muito legal que construía padrões com uma tartaruguinha (acusei a idade). Com 13, eu aprendi HTML e descobri o fantástico mundo do “webdesign”. Páginas e mais páginas com letras de música, artistas, backgrounds animados e conexões barulhentas pelo telefone depois da meia noite. Com 14, fiz um mIRC próprio. Com 15, escrevi uma novela. Que tinha leitores, veja você! Naquela época, uma página em branco não me assustava tanto.

Pensando aqui, eu fiz bastante coisa. Mesmo. E isso me levou por um caminho mais aberto, onde eu posso usar a criatividade em tudo aquilo que eu faço, todos os dias. E, nossa!, isso é gratificante. Eu sei que tenho “sorte” por isso. Que é uma situação que pode me mover com mais facilidade em um caminho difícil pra todo mundo: entender o que e, especialmente, por que fazer. Pois, com a criatividade, vem certa liberdade para poder errar, poder apagar, poder criar várias vezes a mesma coisa, amassar o post-it e trocar por outro. E, no meu dia a dia, eu vejo uma galera sofrendo por causa disso. Especialmente porque tem medo de errar e acredita que não tem outro caminho. Ou que, se for por um caminho, não tem como ir por outro depois. Ou até ao mesmo tempo.

Eu acredito que a criatividade é a mãe de todas as coisas. Tenho certeza que criar nos torna mais motivados, mais inteligentes, mais empolgados com a vida, mais mais. Vejo isso nos olhos brilhantes de alguém com uma ideia e que começa a construir, “com as próprias mãos”, algo que até pouco tempo era inimaginável.

E como ajudar alguém que se vê não-criativo? Bom, a única coisa que eu posso fazer tentar ajudar a encontrar um caminho (na dúvida, siga o caminho com mais luz ;) ).


1. O Beija-flor e a Criatividade

Um tempo atrás, a Elizabeth Gilbert (autora que você conhece pelo bestseller “Comer, Rezar, Amar”, mas que escreve muito mais do que isso) deu uma palestra chamada “O Vôo do Beija-flor: uma vida movida a curiosidade”. Se você ouve bem inglês, vai fundo. Eu achei incrível.

Olha que legal: ela, a vida toda, sempre soube o que queria fazer. Ela sabia qual era a sua paixão e isso a moveu o tempo todo. E, de alguma forma, ela acreditou que isso era assim tão fácil pra todo mundo. E, por isso, durante algum tempo ela falou pras pessoas seguirem a sua paixão como toda a força.

Um dia, tia Liz se deu conta que nem todo mundo sabe sua missão de vida com clareza. E que era realmente doloroso para algumas pessoas ouvir isso e não conseguir descobrir o caminho que leva até essa descoberta. Caiu a ficha.

Então ela se jogou numa jornada bacana, que fez surgir o livro “A Grande Magia” (que eu também digo: vai fundo). Ela conta histórias pessoais e de amigos, ilustrando que o “viver criativamente” é possível.

Quando falo aqui de “viver criativamente”, entenda que não estou necessariamente falando de buscar uma vida que seja dedicada profissional ou exclusivamente às artes. Não estou dizendo que você precisa virar poeta e ir morar no topo de uma montanha na Grécia, que precisa se apresentar no Carnegie Hall ou vencer a Palma de Ouro em Cannes. (Mas, se quiser tentar qualquer um desses feitos, vá em frente. Adoro ver as pessoas dando o máximo de si.) Não; quando falo de “viver criativamente”, estou falando de maneira mais ampla. Estou falando de viver uma vida mais motivada pela curiosidade do que pelo medo.
(…)
E, embora os caminhos e os resultados da vida criativa variem muito de pessoa para pessoa, uma coisa eu garanto: uma vida criativa é uma vida mais ampla. É uma vida maior, mais feliz e muito, muito mais interessante. Viver dessa maneira — contínua e obstinadamente trazendo à tona as joias escondidas dentro de você — é uma arte em si.
Porque é na vida criativa que sempre estará a Grande Magia.

Isto fez todo o sentido pra mim. Na realidade, isto sempre fez todo o sentido pra mim. Mas, qual é o primeiro passo pra isso?

O que ela diz? Siga a sua curiosidade. Tudo aquilo que você gostaria de saber mais. Tudo ao mesmo tempo ou um assunto de cada vez. A sorte: vivemos num mundo que tem milhares de respostas diferentes pra cada pergunta e onde o poder da rede está a um clique de distância.

Se você se identifica como não-criativo, ou se estiver simplesmente a fim, proponho um desafio: uma jornada à curiosidade.

A ideia é começar a fazer o combustível rodar com 3 passos. Não vale nota, não vale estrelinha. O mais importante não é “performar”, é FAZER. Com alguns preceitos básicos: sem julgamentos (“ah, ninguém vai achar legal”, “não é o assunto certo”) e sem assassinar ideias só no pensamento (se entrou na lista, entrou no desafio).

1) Liste 3 coisas que você gostaria de saber mais sobre, mas nunca procurou.

Vale tudo. Sem restrições. Não precisa ser sobre trabalho, mas pode ser sobre a sua atuação. Sério, vale qualquer assunto. Pode ser amplo, pode ser detalhe. Só escolhe 3 e escreve. Escrever num papel de pão qualquer é importante.

2) Pesquise sobre cada assunto por 1 hora.

Sim, você precisa de algumas horas para fazer isso. Mas, hey, não existe almoço grátis. Uma hora é suficiente para conseguir conhecer algo sobre cada item da lista, mas precisa ser 1h dedicada a isso… Não é 1h olhando o Facebook, o Whatsapp. Dedique-se à cultivar a sua criatividade!

3) Crie algo.

Essa é a parte mais difícil. Você realmente vai precisar construir algo com isso. Não precisa ser algo que outras pessoas vejam: só precisa ser algo. Pode ser texto, pode ser arte, uma página no face, uma foto, qualquer mídia. Ou talvez um mapa mental, um powerpoint ou quem sabe um ebook, uma revista ou um artigo. E também pode ser um meetup, um grupo no FB, um evento em um Parque, um seminário na sala de aula, uma exposição, uma reunião de família… Eu ia dizer pra você usar a sua criatividade, mas eu sei que você vai dizer que é por isso que começou a ler isso daqui em primeiro lugar e que se fosse fácil você etc. MÃS… Você que precisa decidir.


Era isso. Não é nada de outro mundo. Se precisar de ajuda, volte aqui e comente neste texto. Tô aqui, vou te ajudar. E, se quiser, volte aqui e conte o que você fez. É só um primeiro passo. Topa?