Todo mundo tem seu primeiro dia…

A hostilidade de um espaço novo estava imposta. Camila não se lembrava direito da última vez em que estivera nessa situação. Olhava para as pessoas a sua volta e todas lhe eram estranhas. Havia saído de casa com a certeza de que precisava fazer amizades logo, de que encontraria alguém, puxaria um assunto trivial sobre o atraso do professor e, dali em diante, fariam todos os trabalhos juntos e seriam grandes amigos. Mas afinidade não é coisa que se planeja, e a solidão nem sempre é estar sozinho.

Ficar dentro de si mesma não parecia a melhor escolha, e ela preferiu a meia satisfação de forçar a busca atrás de alguém que a tirasse de seus próprios pensamentos. A porta da sala fora aberta, Camila caminhou devagar, observando onde a menina mais falante sentaria, estava claro que, se quisesse fazer amigos, aquela garota era o caminho. Como a escolha de um simples lugar pode ser determinante em sua vida… Há os que optam pelo conforto de recostar em uma parede que acomoda, há os que não abrem mão das cadeiras do meio…

Por que Camila achava que eram parecidas, não se sabia. Mas ela estava ali, atenta a qualquer possibilidade de interação, à espreita do momento certo de mostrar-se e de envolver-se da plenitude de ser aceita em um grupo. A gente vive é assim mesmo, querendo agradar a todos pelo medo do silêncio que pode ser a nossa vida, só que tudo é mais difícil quando o espelho é quem cala…