A depressão me fez virar gente

Botei a imagem desse urso, porque achei fofa. Ele ta te julgando, inclusive.

Todo mundo conhece o termo “ser gente” ou “se tornar gente”, até porque, em determinados momentos da nossa vida, perdemos o foco das coisas — ou ainda não tivemos esse foco — e somos somente seres humanos estranhos (isso acontece geralmente na adolescência, essa fase é foda, viu), mas houve, no meu caso, um momento crucial que fez eu me enxergar como gente de verdade e ser uma pessoa melhor.

Quando o assunto é depressão, geralmente eu leio muitos “textos Tumblr” falando o quão frio a pessoa ficou depois de se jogar no poço ou o quão poderoso (a) voltou e sambou na cara das inimigas. Mas isso, geralmente, é discurso montado para as pessoas romantizarem a doença e fazerem de conta que são os reis e rainhas de gelo impenetráveis. Bom, se você teve e ficou de um dos dois jeitos cidadãos, então tudo bem, u go girl.

O fato é que eu tive depressão e ansiedade com 19 anos de idade, diagnosticada após uma série de momentos conturbados e incrivelmente chatos que eu passei. Não vem ao caso O QUE aconteceu, mas sim POR QUE me tornei melhor depois disso, mesmo sabendo que nunca, provavelmente, estarei 100% curada. Aliás, se você pesquisar bem superficialmente, o número de casos vem aumentando drasticamente e muitos são ainda jovens que já estão depressivos. Motivos? Dos mais variados possíveis.

Quando eu a tive eu fiquei ainda mais deprimida (oi Samara, como é úmido o fundo do poço, não?) e isso foi uma droga. Aliás, nesse período estava de férias do meu emprego — que detestava — e pude me isolar de tudo e de todos, menos da minha faculdade que eu também não sou muito fã (mas isso não vem ao caso). E tive uma fase de redescobrimento, porque caralho, a gente vive uma vida cansativa demais e também não só por isso, a gente tem que ter o direito de se sentir uma merda de vez em quando, qual o problema? Se as pessoas se permitissem a tirar um tempo para elas mesmas de vez em quando e focar em seus sentimentos, a depressão não seria um fator tão preocupante quanto é ultimamente, até porque ela vem para te forçar a focar em você, e quanto mais você resiste em não estar nem aí e a acha-la bobagem, mais você se afundará e quanto mais fundo você vai, mais difícil de sair dela fica.

Bom, como eu disse, a depressão te faz/obriga a focar em seus sentimentos e ainda bem, pelo menos para mim, porque eu pude ver o quão merda a minha vida e meus modos de ser estavam, porque como eu não tinha mais controle do meu eu, eu não tinha mais controle das minhas ações, palavras, atitudes… minha vida vivia no piloto automático de GTA, porque uma hora parecia normal, daqui a pouco eu já estava atropelando pessoas e atirando em civis (modo figurado né gente just saying). No mais, era um saco.

Depois de me redescobrir, voltar ao normal, reconquistar pessoas, trocar de emprego e aceitar que minha faculdade é apenas um mal — caro — necessário, percebi que a depressão foi só um aprendizado e que se estamos sempre muito estressados, quietos, brigões, rancorosos, orgulhosos e tudo o que há de ruim, quer dizer que está na hora de você olhar para dentro de si e se perguntar “que porra é essa que eu tô fazendo?” Por mais que pareça óbvio, as pessoas ignoram isso e seguem adiante fazendo besteira atrás de besteira. E aí por diante é só ladeira abaixo.

O intuito do meu texto não é dizer que a depressão faz bem para saúde, porque não faz, aliás eu fiquei bem estranha quando estava com minhas crises, mas para alertar que se você quer ser saudável e de bem com a sua vida, permita-se deprimir-se de vez em quando e se encontrar. Porque você dará valor as coisas quando não precisar de um remédio para controlar a sua cabeça. A vida é uma só, então para de esconder seus sentimentos e para de viver uma vida chata que você detesta antes que a dona D te encontre.

Eu me tornei uma pessoa melhor (me tornei gente), mas muitos não conseguiram encontram nem ao menos a saída do poço. Be careful.

Bom… nem sempre a gente sai de vez, às vezes voltamos. Nunca é uma vitória por completa. Mas é sempre uma vitória, em partes.