Fantasia

Algumas situações da vida nos fazem sentir como se o universo conspirasse no nosso destino, destruindo as possibilidades de continuar no mesmo caminho, nos abandonando diante da chance de que tudo possa dar certo. Tudo aquilo que sonhamos e desejamos construir um futuro. Nessas horas sentimos que perdemos, que a vida tem dado muitos desses encontros ruins, tudo parece triste, inalcançável e que seja la o que nos espera mais pra frente, essa coisa também vai nos abandonar.

Por mais estranho que possa parecer esse sentimento é muito perigoso. A primeiro momento ele desperta uma sensação abafada, de que não a nada que possa faze, mãos atadas, seguida de frustamento, vaidade, tristeza, orgulho. Ele pode passar rápido ou se estender por algumas semanas, meses, anos. O perigo desse sentimento não é quando ele passa, porque se não doí mais, automaticamente, não pensamos sobre isso, a situação vira passado, o lugar sem volta. O perigo desse sentimento está no efeito colateral, na casca, dureza imutável de postura e de alma, o escudo que criamos pra nos defender do mundo. Passamos a ser incapazes de enxergar a realidade sem ele ofuscando a visão, o grande muro. O que está de fora se torna vozes distorcidas, sem rosto, sem cores, só há uma certeza: - quanto mais quieto se fique, mais rápido iram embora, a solidão segura voltará e tudo estará no lugar outra vez.

Quantas vezes realmente fomo deixados?

Essa é a reflexão que faço constantemente. Quantas situações deram errado por que eu perdi ou por que não lutei? Quantas pessoas abandonei antes mesmo da relação realmente chegasse ao fim?

A verdade: É bem mais fácil sentir que não tem nada a fazer do que perceber que estamos com medo, ou erramos, ou até mesmo não queremos mais lutar. É mais fácil se sentir injustiçado do que fracassado. É mais fácil sentir que as coisas nunca vão dar certo ao invés de buscar forças pra mudar a própria realidade. É mais fácil dizer que não está entendendo do que se esforçar pra escutar e depois refletir. É mais fácil culpar o outro, o destino, a falta de sorte, e dizer “ não era pra ser”, do que se lançar no desconforto de sair da zona de conforto, olhar as coisas de outro angulo, só pra ter a certeza de que agiu certo.

Eu to com raiva, com medo, com dúvidas. Tentando me manter sóbria, tentando não me sentir meio esquisita. Cautelosa, pra não estragar o que está a minha volta, nem ser injusta, ou levar amargo ao coração de alguém. Posso dizer que de todas as sensações mais assustadoras que possam me ocorrer, a única que temo carregar, e a que conheço muito bem, é o abandonar-se.