Jornada no mundo dos sonhos

Não me lembro como parei naquele lugar. Estava escoltada alguma pessoas ou coisas a qual não pude ver o rosto. De cabeça baixa continuei andava em uma rua de asfalto do que parecia uma cidade grande, haviam alguns prédios velhos, abandonado, descascando a pintura. O céu estava nublado dando a impressão de um cinza sóbrio que cobre o sol antes de uma tempestade. O vento fazia voar algumas folhas de jornais e papel amassado. Continuei caminhando sem fazer perguntas, não hesitava olhar para o lado, ou para frente, apenas me limitava a rápidos movimentos com a cabeça na esperança de identificar que lugar era aquele.

Ouvi algumas vozes, risos altos, estávamos nos aproximando de um grupo de pessoas abaixadas em uma das calçadas. Não entendi o que estavam fazendo ali. Fui entendendo a cena enquanto me aproximava, era desumano. Um homem nu, em posição de flexão, olhava para o chão e gritava, era como se ele via mas não enxergava o chão, em um estado semelhante a um êxtase, um alucinado perdido no seu próprio caos. Ele fazia uma força descomunal para q seu braço não flexionasse, para não encostar no chão como se o próprio chão fosse na verdade um reflexo de um outro lugar. Percebi que ele estava acompanhado de uns seres e não pessoas. Falavam coisas sem sentido em e rindo do seu tormento. O homem já não mais aguentava, gritava, fazia força, se defecava.

Fiquei paralisada por alguns instantes, recebi um empurrão para que continuasse a caminhar. Foi então que em um impulso corri em direção a um dos galpões cuja a faixada era azul com branco. Fui seguida por uma criatura pequena, mais parecia um vulto, um borrão. Nunca me senti tão sozinha. Eu era uma mistura de agonia e medo. Havia muitos móveis antigos de madeira, e o lugar estava mal iluminado, continuei adentrando o galpão, passando pelos entulhos, tentando me esconder.

Avistei uma mulher de costa, me aproximei e ela se virou, era minha prima. “- por que você me abandonou” ela gritava, “-por que???” tentei responder que não havia ido, mas minha boca não saia palavras, Penas uma explosão de puro sentimento que a tocava embalando-a em conforto e amor para seus lamentos. Percebi que precisava ir embora, na mesma velocidade que a sensação de não pertencimento aquele lugar, eu me projetei no meu quarto, tudo estava claro como o dia.

Eu me vi deitada, vi a coberta, me joguei dentro de mim. A criatura conseguiu me acompanhar, estava no quarto mas não podia se aproximar. Vi que a Ana dormia do meu lado, pensei estarmos em apuros e tentei avisa-la, gritei, chorei, pedi que ela acordasse com toda a força que me restava. Mesmo sentindo o corpo dela junto ao meu, minha voz surda, inofensiva, impossível de emitir qualquer alerta. Fechei os olhos e me concentrei, inesperadamente uma sensação de calma, perfumou minha energia, eu sabia exatamente como me acordar. Levei um esbarrão dela na cama e naturalmente despertei. Tudo ficou escuro, percebi que a luz estava apagada, ainda não havia amanhecido, finalmente estava de volta.

A mente humana é um labirinto de complexas formas, misteriosas, projetando imagens e construindo mundo com textura própria, belo, sutil com suas próprias logicas. A fonte que o ilumina não se parece em nada os nossas moléculas de luz e calor, as cores se misturam no espaço. O tempo existe enquanto substância, matéria bruta de composição desse lugar, o que era, foi e será, são uma unica coisa. A linha reta a qual entendemos a história perde seu completo sentido. Esse não foi o meu primeiro nem último sonho lúcido Todas as noites minha mente se desliga, ao dormir embarco nessa viagem até uma dessas cidades habitadas. Quando tenho sorte despertar é tão sutil quanto dormir, sinto a ruptura do sonho e acordo. Outras vezes fico vagando na minha própria casa, tentando achar uma maneira de acordar.

Existem muitas explicações para esse estágio: paralisia do sono, vigem astral, desdobramentos, apenas um sono, mas a verdade é: quando entramos no campo da mente e seus mistérios, não existem certezas, nem respostas, tudo é apenas uma suposição mística, filosófica, científica sobre o que pode ser. Me parece impossível acessar os segredos por trás dessas situações, as respostas do mundo, não estão nesse plano, não podemos acessa-las com esse corpo físico, limitado, fadado ao engano.

Esse sonho mudou alguma coisa dentro de mim. Me fez perceber o poder dos tormentos, acorrentando nossos braços, nos manter prisioneiros, nossos “carcereiros” nem precisam fazer muito esforço além das sarcásticas piadas em nosso ouvidos, fomentando mais e mais o caos. Os dias foram passando, mas o sentimento deixado por aquele sonho permaneceu vivo, voltando a rodar em minha memória. Eu perdida em pensamentos, contemplava novos significados e entendimentos.

Despenquei caindo em alto mar. Os raios de sol refletia um azul piscina, dos mais lindos que eu já havia visto. Batia o pé na água tentando boiar, percebo que a minha volta era só mar, até horizonte se perder de vista. Abri os braços e deixei a correnteza me levar. Fui puxada para baixo, enquanto afundava via o sol, o céu, as nuvens, era estupidamente lindo e calmo. Fui engolida por um buraco negro de vazio, exceto por uma voz chamando meu nome repetidas, insistindo em interromper a solidão daquele momento. Senti que estava sacudindo, minha respiração havia faltado, assim como a voz e folego. Eu socava o peito enquanto ela desesperada me balançava na cama para que eu acordasse.

- Você estava sonhando. Fica calma…

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