Ela

Indecisão. Provavelmente esta seria a palavra que melhor lhe descreveria. Não tinha certeza do que faria na faculdade, do que gostaria de comer para o jantar, do seu presente de aniversário, do intercâmbio, da viagem de férias, do filme que quer assistir, da roupa que irá utilizar no outro dia. Ao mesmo tempo, é decidida. E quando decide algo, ela luta para conquistar ao máximo o que deseja.

O seu humor costuma ser dos piores e o estresse sempre está presente na sua vida. Às vezes ela grita com todo mundo, porque simplesmente não tem paciência para nada. Mesmo assim ela tenta ao máximo se manter calma, praticar yoga e meditação e, aprender a deixar de lado todo o estresse que lhe comete em alguns dias.

Ela nunca, nunca mesmo, faz apenas uma coisa. Sempre tem mil abas abertas no navegador, cada uma para um pensamento que não poderia esquecer de maneira alguma, de fazer, de anotar ou de ler. Além disso, faz tudo isso aos poucos. Uma hora está lendo uma reportagem sobre feminismo, em outra, navegando pelas redes sociais, de voltar para a reportagem, uma passadinha de dez minutos de algum episódio de Grey’s Anatomy ou de qualquer outra série na Netflix, de volta para as redes sociais… Ah… Não pode esquecer de fazer uma unidade do curso de espanhol, faz metade da unidade, assiste outra metade da série, termina de ler a reportagem e assim vai navegando aos poucos e fazendo as suas coisas. No final, até que tudo dá certo. Bem misturado na cabeça dela, mas tudo bem absorvido.

E como absorve as coisas. Ela estuda muito. Já estudou sobre vegetarianismo e decidiu que quer se tornar vegetariana, entretanto, segundo os seus estudos, primeiro se adiciona e depois retira, então este momento de transição pode demorar um pouco de acontecer. O inglês também é um idioma que ela ama, então o estudo. Assim como começou o espanhol, quer aprender francês e italiano. Tudo ao mesmo tempo para dar aquela misturada que ama.

De mistura é também feita a cabeça dela, que luta com momentos de pura confiança a momentos de pura insegurança. Aos poucos, ela vai aprendendo que o seu sorriso é lindo, que os cachos do seu cabelo brilham no sol e de que tudo que precisa é só de um pouquinho de amor (próprio).

No final do dia, mesmo cansada, para alguns segundos para refletir sobre ele e agradecer, meditar e praticar yoga, quando lembra de fazer tudo isso em sua vida agitada.

Ela já sonhou em ser cigana, daquelas com coração enorme, que ama a natureza e os animais. Talvez um dia ela se torne. Metade cigana já é. Só falta ela aceitar que a outra parte é inteiramente ela, da cabeça aos pés.

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