Barquinhos

A imensidão do oceano muitas vezes nos leva ao mar aberto, dentro dele encontramos a maior tempestade de todas onde por dias perdemos nosso norte e desejamos encontrar o caminho de volta pra casa.

Em meio à tempestade existe o cheiro das coisas ruins todos os dias matando um pouco da sua fé de que em alguma hora a chuva vai parar, existe apenas a dor e o sofrimento da espera, a ansiedade do que nunca sequer existiu, o peso que cada onda tem ao te atingir. Você repete um milhão de vezes que jamais deveria ter entrado nesse mar, que a próxima vez será diferente e no seu pior momento você se lembra do que te faz caminhar.

O cheiro de casa, a voz de alguém te pedindo pra não ir, os sorrisos que passam como um filme na sua cabeça, os sorrisos que você dava tão facilmente e agora parece ser tão difícil sorrir, você se lembra de cada vez que salvou alguém mesmo que tenha sido sem querer e de alguma forma isso te faz lembrar das inúmeras vezes que você se salvou, a tempestade agora não parece ter a mesma força, você segura seu remo e dá a primeira remada e lembra “eu devo continuar como continuei quando cai pela primeira vez” e você dá mais uma remada “eu devo continuar pelas pessoas que eu amo” e você dá a terceira remada “eu devo continuar porque eu quero voltar pra casa, eu quero sentir o cheiro do abraço de quem tá me esperando do outro lado” e agora remar ficou mais fácil, então você rema, apenas rema.

Você acha seu norte dentro das coisas que você ama, dentro de cada pessoa que te motiva a passar por suas tempestades, o caminho é difícil, mas se você tiver alguém dentro de você ou dentro do seu barquinho você só deve se lembrar todos os dias do quanto é importante remar.

Quem está com você dentro do seu barquinho e para onde você deseja ir?

Por quem você está no meio da tempestade?

Agora tente remar mais uma vez.

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