Montevideo: aquele primeiro olhar. (Parte 1)

Eu contei para vocês que a minha história no Uruguay começou em maio de 2016, mas o que eu não comentei, é que não era a minha primeira vez no país.

Setembro de 2015, após três meses vivendo e fazendo parte de um projeto de voluntariado em Lima, Peru, eu decidi que conheceria Montevideo. Era muito simples, meu voo era Lima-Porto Alegre e eu não havia comprado passagem de Porto Alegre para Campo Grande, então eu já havia decidido que iria para o Uruguay (aonde encontraria duas amigas também de Campo Grande) e depois iríamos para Buenos Aires.

Só que as coisas não sairam como planejado.

Cheguei em Porto Alegre doente, um pouco resfriada. Mas óbvio, isso não era o suficiente para que eu deixasse a viagem de lado. Depois de três meses fora, eu não tinha créditos no telefone e também não lembrava a senha da minha conta bancária. Com sorte, consegui retirar dinheiro numa lotérica (a Caixa disponibiliza senhas distintas para saque e compra), me comuniquei com os meus pais e fui direto para o apartamento de uma amiga, Ana.

Na noite desse mesmo dia, embarquei para Montevideo. E eu não havia conseguido fazer contato com as minhas amigas que já estavam no Uruguay. Eu tinha muita bagagem e muitos objetos que havia comprado no Peru, e todos frageis. A viagem durava 12 horas, comprei minha passagem na EGA Turismo. O ônibus da EGA é muito confortável, inclusive tem serviço de bordo, servem jantar e café da manhã e tem wifi durante todo o percurso. Foi com esse wifi que eu reservei um hostel para quando eu chegasse em Montevideo.

Era a segunda vez que eu viajava pro exterior, só que dessa vez, eu estava totalmente sozinha e honestamente, não sabia muito bem o que fazer. Para ser bem sincera, eu nunca planejei essa viagem, e acreditem, foi só quando eu cheguei em MVD que eu descobri que tudo era muito caro e que eu não tinha dinheiro para pagar nem mesmo duas noites no hostel (não apenas porque era muito caro, mas também porque eu não havia planejado nada). Mas esse era apenas um dos problemas, o outro, é que a minha gripe estava muito forte bem como o inverno na cidade. Resumo: nem o frio e nem a falta de dinheiro foram impedimentos, eu tinha um dia para aproveitar, sem saber o que seria no dia seguinte, mas nesse dia, eu aproveitaria ao máximo. Então eu andei, andei muito, fui a muitos lugares e conheci muitos pontos da cidade. Me disponibilizaram mapas e tudo o que eu precisei no hostel.

Mas eu não tinha dinheiro, nem para comprar comida. Então voltei para o hostel a noite (dei muitas voltas até chegar) e jantei um X-Salada que eu havía comprado ainda em Porto Alegre. E bem, liguei para minha mãe para dizer que eu não tinha mais dinheiro e que não sabia exatamente o que fazer.

No dia seguinte, retirei minhas coisas do quarto, e deixei em uma área do hostel e saí, porque não importava o que acontecesse, eu queria ir até a “placa escrito Montevideo”. Então peguei o mapa e comecei a andar. O problema é que eu nunca fui muito boa com mapas, então não sabia bem para onde eu estava indo, então pedi informação. Foi quando eu descobri que os Uruguayos são pessoas muito amáveis e que não possuem senso de distância. A primeira pessoa me disse que eu caminharia cerca de 40 minutos, mas depois de mais de 1 hora caminhando sem chegar n “placa”, perguntei para outra pessoa, que me disse para seguir caminhando por mais 30 minutos. Ainda sem chegar, perguntei novamente e me disseram que estava muito longe, erca de 1 hora caminhando. E eu queria desistir, mais continuei e cheguei! Eu já não tinha muitas forças nesse momento, sério. Almocei um chocolate e umas bolachas que eu tinha na mochila e aí comecei a me preocupar: aonde vou dormir essa noite? O que eu vou fazer amanhã? E minhas amigas?

Então voltei para o hostel, caminhando e morrendo de frio e febre.

E o que acontece depois, eu contar na segunda parte desse post!

Um abraço forte,

Karla.