Quando “Brooklyn” e “Love” são praticamente iguais

Na noite de hoje, para ocupar o tempo, assisti a três filmes em sequência: Divertida mente (Inside Out), Brooklyn e Love. Esqueçamos o primeiro, apesar de ser uma animação muito interessante. O que interessa é a curiosidade que foi assistir os outros dois em sequência.

Brooklyn (2015)— roteiro de Nick Hornby e direção de John Crowley — conta a história da mocinha irlandesa que migra para os EUA em busca de possibilidades, pois em sua terra natal não havia conquistado marido, educação ou emprego que lhe garantissem um futuro digno. Vivendo no Brooklyn, em meio às dificuldades de adaptação, ela se apaixona e casa. O filme é o típico romance água com açúcar — com alguns elementos crítico-sociais — que nos enche o coração de amor e esperança porque reproduzem o esteriótipo do relacionamento perfeito e do final feliz.

Em seguida, assisti à Love (2015), polêmico filme de Gaspar Noé que dispensa maiores apresentações. A questão é Love promete uma experiência diferente, uma visão diferente sobre o amor, o sexo da vida real, etc., mas é, na verdade, o amor ali representado é tão careta quanto o de Brooklyn.

As cenas de sexo são uma inovação, não há dúvidas, mas o enredo não precisava de duas horas para se desenvolver. O filme é chato. Peguei-me verificando quanto faltava para acabar diversas vezes. Você compreende a mensagem e mata toda a motivação do filme na primeira meia hora.

Por que ele é careta? Há um casal que vive variadas experiências sexuais, que apresenta uma liberdade sexual como característica do relacionamento. Tudo é fachada, entretanto. O mocinho é machista conservador. Trai, mas não admite ser traído. Tem uma relação de posse com a “mocinha” — não tão mocinha assim — que, apesar da faceta sexual, é frágil, depressiva, dependente. O que temos é um típico relacionamento amoroso.

O filme poderia avançar em muitos aspectos, apresentando uma visão realista das relações e dos conflitos de hoje. As personagens são jovens, mas reproduzem os dramas, os conflitos do passado. O policial idoso tenta ensinar para o “mocinho” que ele não deve alimentar sentimento de posse com a namorada. Isso é apresentado como uma simples questão cultural entre a forma de se relacionar dos franceses e dos estadunidenses. Até o velho “golpe da barriga” que alimentou roteiros durante anos está presente.

Claro que há pontos positivos. Acho que a necessidade de chocar se destaca na construção de Love. Mesmo mostrando detalhes tão profundos nas cenas de sexo, Love peca pela superficialidade.

Desculpem os erros, mas são 5h10min em Fortaleza!!!

Boa noite — ou dia —. Whatever!!!

Karla Costa