A menina mora aqui

Quando o mundo me assusta eu abraço a menina.

A menina sempre esteve protegida; longe de todas as inseguranças da vida, vivendo em sua linda casa de bonecas.

Em meio a toda cor e tantos sonhos, ela dorme feliz; sabendo que ao acordar pode encontrar no mundo mais uma vez toda chance de se reinventar, de ter superpoderes, voar, viajar até a lua, e voltar pro aconchego da sua cama desarrumada no fim do dia.

Todos os dias ela sabe que pode mudar o mundo; ser cantora, bailarina e se entregar a todas as possibilidades que a imaginação permitir.

Todos os dias ela acredita na bondade das pessoas e que nada de ruim existe aqui.

Ela acredita no impossível, espera a fada do dente, suja a roupa de sorvete e busca a companhia de quem faz rir!

Ela tem o riso frouxo e os olhinhos apertados quando sorri. Sabe, no sorriso dela mora a esperança de um amanhã mais colorido e outros mil motivos pra sorrir.

Ela é a criança perdida, ela mora aqui.

Meu “eu” perdido dentro de mim; em meio a tantos erros e toda bagunça causada por esse papo estranho de crescer.

Arrumando a casinha de bonecas, ela olha pela janela e vê o mundo de responsabilidades chamando logo ali.

Ela solta o meu abraço e sabe que preciso partir.

Não demoro, não.

Logo eu dou um jeito de voltar pra contar sobre toda a cor que existe aqui, tudo o que podemos construir, abrir os olhos pro amanhã e por fim me reconhecer sendo a menina em cada detalhe que descobrir.

Se o mundo ontem me assustava, hoje depois do abraço eu volto a sorrir.

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