Não, eu não tô bem…

Tá… Eu não tô legal… Há muito tempo que eu não tô bem… E eu não sei nem por onde começar a reclamar! Há tempos eu fico olhando imagens submersas de oceanos árticos como uma alternativa de relaxamento pq esses lugares me parecem vazios o bastante (apesar da imensa fauna de peixes e mamíferos) pra eu conseguir me acalmar, gritar e chorar…

Vou começar pelo mais recente… Esse final de semana eu passei em Atibaia com meu namorado, minha filha, minha sogra, meu cunhado e meu sogro… Foi muito gostoso, afinal eu não via minha filha — e, por conseguinte, meu namorado — há 5 dias… E essa já era a terceira vez e mais semans assim estão por vir (mas falarei disso depois). Essa também foi a primeira semana de trabalho dele e de creche dela… Os dois cansados, os dois em fase de adaptação… E eu sem saber o que fazer pra ajudá-los… Pior que ficar longe da Helena é pensar que ela passa horas com duas pessoas, que eu não conheço, sem eu estar por perto… Por mais que elas sejam qualificadas — e eu não estou dizendo o contrário — , meu coração fica inquieto a semana toda… Tão inquieto que durante quase a uma hora de viagem de SP a Atibaia, eu chorei calada ouvindo blues com meus fones de ouvido (afinal, nessas horas vc nunca coloca algo animado pra ouvir…). Na única noite que eu passei com os dois eu desatei a chorar pq minha filha acordava tossindo e chorando no meio da noite e eu sem poder fazer nada, além de segurá-la em meu colo e dizer, em vão, que ia passar, que a mamãe tava lá com ela e que tudo ia acabar bem. Eu não sabia, de verdade, o que era me sentir uma completa inútil… Os dias, ao contrário, foram maravilhosos! A gente brincou, riu, fez e aconteceu… Até que a minha hora de ir embora chegou. Sorte minha ela ter dormindo no caminho pra rodoviária e não ter que me ver partir… De novo… Pela terceira vez… Não sei se terei tanta sorte nas próximas idas. Mas sei que vou chorar de novo toda vez que eu entrar no ônibus Viação Atibaia, seja indo pra lá ou voltando pra São Paulo… Ou todas as noites antes de dormir… É, isso acontece… I’m crying myself to sleep everynight, now.

Isso é um ponto que pesa em mim, o outro é a frustração de não poder me dividir em mais outras Karóis (esse seria o jeito certo do plural do meu nome? Não sei…) pra poder fazer o que meu cérebro imbecil acha que eu tenho que fazer, por exemplo…: Ajudar meu pai na empresa dele, não vai rolar! Ele não me paga pouco, mas a quantia que eu vou ter que gastar só no transporte, vai transformar meu rico salário, num mínimo. E isso, eu consigo em Tibaia podendo estar perto da minha filha, sem estar cansada e gastar 4hrs por dia indo e voltando. Eu posso passar a semana em São Paulo? Posso, mas vou continuar nessa situação merda de ver a Helena só aos finais de semana. MAS se eu não ficar no meu pai, ele vai ter um trabalho do caralho pra se virar sozinho com o negócio dele. E, pra minha mente doente, eu tenho uma dívida eterna com ele e agora com ela. Todavia, só posso cumprir um. É lógico que vou escolher minha filha, eu sou mãe coruja o suficiente, mas a ‘filha do papai’ que mora em mim, em algum lugar, me xinga todo dia por isso… Puta!

Outro ponto que me tira o sono é o fato de eu ter engordado 20 quilos depois de ter tido minha filha. A culpa não foi dela, foi minha… Minha ansiedade era capaz de comer o dia todo por tédio de ficar em casa o dia inteiro, como se cuidar de uma criança recém-nascida não fosse o suficiente. E eu sei que essa merda de pensamento que dita que mães têm que manter a forma é escroto, eu sei, mas eu não sei ser gorda… Eu não sei mais o que é pesar mais de 65 quilos ( o que, pra mim, já são 15 a mais do que eu deveria ter)… Isso afeta não só minha auto-estima como meu relacionamento amoroso com meu namorado — que tá mais pra marido, mas sem a papelada chata. Eu nunca senti ciúmes dele; hoje eu fico maluca por pensar que ele pode ou não estar ‘playing with himself’ através de algum site pornô. Coisa que é normal tanto pra homens E mulheres… Eu fazia isso! Não faço hoje não por falta de libido… Por falta de amor próprio, mesmo.

Então, here’s the deal, eu tô deprimida… Não! Eu estou sofrendo de depressão há muito tempo já. Eu não quero ver ninguém. Eu não quero fazer nada. Eu não quero ser nada. Eu só quero estar com eles! Não se tira as pernas de alguém e se fala: Anda! (até pq a forma correta seria: Ande!)

Eu só queria mergulhar na imensidão gelada e azul até tudo passar… Mas nunca passa… Não se eu afundar…

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