Experimente a vida
Quem é você no mundo? Quem é você frente à vida?
Viver é uma experiência ímpar, que só a gente pode fazer. Que se caracteriza com o indivíduo (você) sentindo e se imprimindo no mundo. A pergunta que fica ao se deparar com esse fato é: quem é você?
Quem é você quando come? Você presta atenção naquilo que tá ingerindo? Você come rápido ou devagar? Você mastiga percebendo os gostos e textura dos alimentos e as mudanças que vão acontecendo? Você come por que tem fome? Você come rapidamente pra suprir um sentimento que, na verdade, não se alimenta de comida (e por isso o comer não cessa)? Você desconta sentimentos na comida? Você come por pura convenção?
Quem é você no banho? Na hora de dormir? Na hora de estudar? Você presta atenção no que está fazendo? Você só faz porque precisa ser feito? O que você sente enquanto tá fazendo as coisas do seu dia? Elas têm um propósito pra você ou só estão ali? Elas te dão algum tipo de prazer?
Quem é você na relação com o outro? Você presta atenção de verdade no que o outro fala? Enquanto o outro fala, você fica pensando em você e nas situações do seu dia? Você faz uma escuta ativa? Pra que serve aquilo que você ouve do outro? Você respeita a realidade alheia ou fica exprimindo julgamentos enquanto escuta?
Quem é você na relação com você mesmo? Você vive presente nas atividades que realiza? Ou fica se martirizando lembrando do passado (e assim fazendo com que ele se mantenha vivo no presente)? Você julga demais seus erros? Ou supervaloriza seus acertos? Você valoriza suas conquistas? Ou menospreza seus ganhos? Você se agradece por ter chego até aqui? Ou foca no que ficou em falta? Você acha que pode fazer tudo? Ou aceita suas limitações? Você se compara com pessoas que têm modos, recursos e estilos de vida totalmente diferentes (e assim se diminui e vive na autossabotagem)? Ou você estabelece modelos parecidos apenas para se espelhar?
Quando se trata do se relacionar: que tipo de relação você formou com o mundo ao seu redor, até agora? E como isso reflete da relação que você tem consigo?
Não existe certo e errado. Existe o socialmente definido e aceito. Ainda assim, seu caminho é só seu. E sua vida é você sentindo o mundo, experenciando sensações, sentimentos, vivências. Se expressando, a partir daquilo que experimentou. Você é uma construção que nunca terá fim. É, então, parte ativa dessa construção ou só observa a maneira com a qual o mundo te molda?
A gente constantemente se prende no passado e usa ele como instrumento pra se martirizar e se convencer de que somos fadados à falha (“aquilo que eu vivi vai ser sempre uma marca negativa”, “não posso fazer tal coisa por causa daquilo”). Isso tem ganhos secundários, senão não seria mantido; faz com que a gente nem precise se movimentar da zona de conforto e perpetua uma ideia de vítima que não nos responsabiliza pela própria criação (o que envolve tanto as perdas, quanto ganhos).
A parte ativa de construção da sua vida é no hoje e apenas pode existir no hoje. E não é tarefa fácil, por isso assusta. Não existem regras, não existe um caminho a ser seguido (embora a gente possa se espelhar no outro, o caminho ainda é nosso), existe uma descoberta e construção que é feita pelos tijolos que você mesmo coloca. E haja suor pra se manter em movimento, tão fora do conformismo e do conforto que a gente gosta de ter.
Estar 100% nas suas vivências e experiências não é só uma dica pra desenvolver mais autoconsciência, mas também uma maneira de estabelecer justiça com tudo aquilo que você é. É se percebendo na relação com o mundo que você descobre os pormenores que te compõem. Para além do seu passado que machuca, abandonando a necessidade de controlar o futuro (que te cria ansiedade e medo); e abraçando a aceitação de que a vida é como ela é, de que as coisas são como são e de que a gente tá aqui pra viver e sentir, não pra controlar.
E, por ironia da vida, você começa a criar exatamente quando abandona a ideia de estabelecer controle. Porque a criação não é sobre controlar o futuro. A criação são os pequenos passos e objetivos sendo feitos hoje, que vão gerar coisas que não serão exatamente como o nosso planejado (porque não é controlável), mas que podem se aproximar conforme estabelecemos o que queremos alcançar.
Se você sabe para onde quer ir e aonde quer chegar; sabe quem é e os recursos próprios que tem; reconhece o mundo que te rodeia e as limitações que ele te cria; aceita que a vida te leva nos termos que ela tem: daí nasce a união e o reconhecimento do caminho a se seguir. As coisas vão acontecendo e você, pura e simplesmente, aprende a abraçar e captar exatamente aquilo que te serve, dentre todas as milhões de situações e oportunidades que aparecem.
O que será que te serve? Retorna então a pergunta: quando se trata de sentir e viver o mundo, as pessoas e as coisas: quem é você? Não existe resposta possível, se existissem respostas qualquer um poderia passar pelos caminhos, colocá-los no papel e todos poderíamos seguir calmamente, pois seria a fórmula do sucesso e felicidade. Mas muito provavelmente a vida não seja sobre achar respostas, mas sobre se conhecer, criar as próprias perguntas, achar grandes propósitos e se construir a partir disso tudo.
Se você não criar as próprias prioridades, se perderá por entre as milhões de coisas a serem feitas. Se você não estabelecer o lugar que quer chegar, se perderá por entre todas as possibilidades (ou focará nas faltas). Se você não definir os propósitos da sua vida, terá dificuldade pra saber o que priorizar e o que cortar. Se você, inclusive, não fizer cortes (e para vivências, lugares, pessoas, coisas etc), se perderá por entre o acúmulo de coisas que não te servem para nada. E, sinto em dizer, se você não se apropriar da própria vida, o mundo vai te carregar na força da correnteza até o final.
E o grande ganho da vida não vive no final, o final é a certeza da morte. O grande ganho é o caminho e o que você conseguiu achar de frutos para se alimentar. E o mais mágico de toda essa ideia é: qual é o fruto que te alimenta, que mata sua fome, que te dá prazer? É você quem descobre, é você quem define. Isso é só você que experimenta.
Experimentar o mundo e o que ele tem a oferecer é a grande tarefa que a vida nos dá. Ter uma tarefa de tamanha responsabilidade, talvez nos estampe na cara quanto poder nós temos. E então, quem é você? qual o fruto que te alimenta? O que você tem experimentado até o momento? Pergunte-se diariamente se você tem real noção do seu poder e, se a resposta for negativa, comece de alguma forma a experimentar os frutos que a vida te dá e descobrir qual deles te leva aos caminhos que você deseja pra si.
