Me despi de mim e sigo nua

Dei a louca e desejei a mudança. Joguei quase todas as roupas fora. Agora estou sem roupas. Joguei todos os rolos antigos fora. Agora estou sem rolos, nem namoros. Joguei todos os livros velhos fora. Agora estou sem livros. Deletei todas as fotos. Agora estou sem fotos. Exclui algumas músicas antigas. Agora estou sem música.

A questão é que tenho as lembranças. E no impulso de não me querer mais como era - pois eu estava diferente - decidi seguir o instinto, porque se fosse me apegar no que eu tinha, eu acabaria ainda cheia de coisas, mas sentindo estar sem nada.

Me sinto com coisas o suficiente. Eu tenho me encontrado e aprendido meus novos gostos. Não tenho as roupas do estilo que me encaixo, porque ainda nem o conheço. Não tenho todos os livros que preciso ler para chegar no conhecimento que quero, porque ainda o estou construindo. Não tenho rolos que se encaixam no que eu busco para me relacionar, porque ainda não conheci alguém com quem me sentisse em casa e que me desse o conforto que eu mesma me dou. Ando conhecendo novas músicas, que agora estão uma bagunça.

Vish, o que sou? Tenho sido um pouco de tudo só para poder me experimentar em todos esses ambientes. Talvez eu queira voltar a dançar a dança da vida, mas ainda não sei que tipo de música. Busco profundidade e companheirismo nos outros, nem todo mundo se tem pra conseguir doar. E tudo bem, cada qual com sua batalha diária. Os livros são tão distintos, mas pasmem vocês que eles fazem sentido em conjunto.

A questão é que estabeleci que precisava me conhecer mais como eu. Eu mesma. Marquei um encontro comigo. E esse encontro é incerto. Tem hora que decido e hora que não decido mais. Talvez eu queira mudar de profissão, talvez não.

Desde que eu comecei a me conhecer, não sei muito para onde estou indo, estou em constante busca, me encontro em transição. Não me finco ou prendo a nada. Mas tudo bem. Me encontre no caminho e venha sem malas para o mundo da autodescoberta.