“Tristeza não tem fim…”

Tem vezes que a vida me come pelas beiradas. Assim, lento, gradual. Só pra eu saber que um dia a mordida letal chega ali no meio, na parte principal. Enquanto sei que ela tá chegando, me tranco pra fora de mim. Eu já não tenho certeza se esses sentimentos me pertencem, ou se eles são só partes do que eu não gostaria que me habitasse.

Tem hora que a vida não dá nem 5 minutos. Não para, não pausa, não faz nada. Só se quebra por entre os acontecimentos. E a cada novo rumo, eu me pergunto: “Que horas acaba? Que horas isso passa?”…então eu escolho sentir, afinal, eu tenho escolha? Eu sinto e descumpro tudo que eu precisava fazer nos próximos dias. Por vezes fico em falta com aqueles que me procuram. O fato real é que eu não sei sentir mais nada, mesmo quando penso que já aprendi a sentir tudo.

E aí eu preciso me lembrar que sou apenas humana…feita de matéria, composta por pensamentos, sentimentos, comportamentos e história. História? Quantas vezes mais a vida precisa provar que não é leve? Aí eu respiro e olho no olho daqueles que estão comigo. Alguns tão passados e cansados como eu. Alguns sem tempo como eu. E têm aqueles que estão leves e me puxam levemente pra um lugar mais aconchegante. E, por um momento, dentro do olhar da criança que mora comigo eu lembro que o mundo vira o que eu faço dele.

Tem vezes que eu não quero agradecer, mesmo sabendo que tenho muito pelo que. Só quero me recolher dentro dos meus sentimentos. E sei que no que me rodeia, ali no lugarzinho que mora a felicidade, existe também muita tristeza. Dessas tristezas que nos ensinam coisas sobre o dia-a-dia. Então olho de novo no olho da criança que me habita e ela observa o mundo pela primeira vez, do jeitinho que eu esqueci como fazer. Eu gosto de relembrar. Sinto o gosto e ele é bom.

Mas só por hoje, só por um tempo, quero pegar a tristeza nos braços e levá-la pra dormir comigo. E entre todos os trancos, entre todas as topadas que ela encher a boca pra me contar, vou lembrá-la que isso passa. Isso passa…embora eu queira muito pedir pra ela me deixar em paz, já não sou mais aquela criança que acredita nessa possibilidade. Eu e ela entramos num acordo. Ela sabe que passa e eu sei também que ela precisa estar presente em mim e em muitos momentos dessa vida. Ela me sorri e diz que é só assim que eu passo a compreender. E eu sorrio de volta. Eu sei, eu sei que ela precisa existir pra que as coisas tenham maior significado e importância. No fundo, a gente sabe. Eu sou mais dela do que ela é minha. E só assumindo esse pertencimento eu sou livre. Por vezes, ela vem e me ensina, novamente, qual é o verdadeiro gosto de ser feliz.

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