Minha falta de compromisso com o sentido e linearidade dos textos sinceros

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Depois de tentar escrever uns 4 textos sinceros, cheguei a conclusão que eu tenho um problema sério com a lógica e a linearidade dos textos. Eu começo falando de uma coisa, depois falou outra e coloco um ponto.

Costumo escrever orações curtas, feito essa. Talvez porque me esforço para tentar ser objetiva e fechar uma linha de pensamento. Ou talvez porque eu simplesmente use pontuação como respiração da frase. E, caramba, isso me lembra Clarice (a que você conhece como Lispector).

Dia desses estava relendo alguns fragmentos dela em um desses compilados de textos transformados em livro. Eram fragmentos sobre vida e escrita. Clarice me faz revirar os olhos cada vez que leio suas palavras e me percebo nelas. Não em situações vividas, muito mais no modo em como ela escreve.

Clarice me parece viva, apesar de não estar, e por isso usarei verbos no presente. Clarice é o tipo de escritora que simplesmente coloca seus pensamentos pra fora e não tem preocupação em relê-los. Ela simplesmente escreve, pontua e tudo bem se não fizer muito sentido para quem estiver lendo. Nem ela mesmo entendia como podia ser uma escritora de sucesso.

Pois bem, em termos de forma de expressão escrita, eu sou como Clarice. As coisas simplesmente vão saindo e eu construindo os pensamentos. Quando percebo que não fazer muito sentido e não há objetivo no conjunto escrito, eu me dou conta que isso acontece porque meus pensamentos são uma turbulência constante.

Em meio a essa turbulência surge a necessidade profunda de ser sincera e verdadeira em meio a tanto conteúdo genérico, tecnicamente estruturado e bla bla bla. Aliás, tenho me sentido um tanto quanto abusada da palavra conteúdo. Como a gente consegue esgotar uma palavra desse modo? Até sinto que nem sentido ela tem mais. (Isso vale pra tantas outras palavras, que eu não seria capaz de listá-las sem transformar numa lista de 500+ palavras que perderam o sentido e eu não sou obrigada a lidar com a falta de significado delas)

Sabe esse último parênteses praticamente sem pontuação? É porque você deve ler feito quem vai perder o fôlego, tudinho de uma vez. E é por isso que digo que a pontuação da frases é pra mim, assim como pra Clarice, a respiração da frase.

Não sei se esse texto tem muito sentido no fim das contas, mas vocês foram bem avisados no título dele que ter sentido não era bem pré-requisito.

Um abraço!

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