Sobre o sentido.

Por vezes penso que o descobri, e o agarro entre os dedos, mas a descoberta é tão frágil que o menor sopro frio da existência é capaz de fazê-lo voar das minhas mãos.

Sempre quis escrever coisas profundas e relevantes para o mundo, mas o máximo que eu consigo é descrever o vazio. Sempre uso palavras como vácuo, e metáforas com ilhas e mares e um corpo que flutua no meio do nada.

Por vezes eu me sinto completa, não porque alguém me completou, mas porque minha própria existência e as coisas que penso e realizo me fazem completa. Mas, às vezes, quando me encontro sozinha em casa, ou sozinha entre as pessoas, sinto que sou tão pequenininha e insignificante que não sei o que me motiva.

Às vezes me sinto uma farsa. Finjo que sei muitas coisas, mas no fundo não sei nada. Finjo que quero muitas coisas, mas no fundo tudo que eu queria era me encontrar.

Às vezes eu penso coisas sem sentido, sinto coisas sem sentido e choro coisas sem sentido. Às vezes quero muito chorar e crio coisas na minha cabeça — geralmente fruto de paranoias que oculto até de mim mesma — e quase acredito nelas. Talvez eu faça tanto isso que não acredito mais no que eu sinto de verdade. Talvez eu nunca tenha acreditado.

O que é real?

Por vezes penso que o descobri, mas quando penso um pouco mais, se torna difícil levantar. Se torna difícil acreditar. Se torna difícil confiar.

Eu só queria me permitir sentir que o descobri mais vezes.

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