O Ensino de Idiomas por meio da Arte

A linguagem e a arte podem complementar-se e ajudar-se mutuamente. Quando um conceito não é claro em sua forma escrita, a forma visual pode ajudar o aluno a compreendê-la. Por outro lado, quando a forma visual é confusa e pouco clara, a forma escrita pode facilitar sua compreensão.

Em sua palestra TED, Ken Robinson trouxe um ponto interessante, dizendo que a maioria dos alunos que trabalham em sua sala de aula hoje, estará entrando em uma força de trabalho no futuro que ainda não conseguimos visualizar. Portanto, aprender um conjunto de habilidades específicas tradicionais/passadas talvez não terá tanto valor. Aprender a ser mais criativo e adaptável é a ferramenta essencial para preparar os alunos para a vida além da sala de aula.

Algumas escolas e empresas em todo o mundo já estão conectadas a essa ideia, adotando técnicas de cursos de criatividade. Muitas empresas praticam hoje a regra dos 20% (permitir aos funcionários que dediquem 20% do seu tempo de trabalho para pensar criativamente e explorar novas ideias). 
 
Essa tendência de avaliar a criatividade vai além das grandes empresas de tecnologia que há muito trataram a “inovação” como uma palavra-chave. Uma pesquisa realizada em 2010 com mais de 1.500 executivos descobriu que a criatividade é valorizada como a habilidade comercial mais importante do mundo moderno.

“Criativo” é um dos termos mais utilizados no LinkedIn ano após ano.
 
A criatividade não é mais vista como sendo apenas para artistas e músicos. É uma habilidade crucial para todos dominarem.

O ensino e a arte

A arte tem sido um meio de expressão visual usado para transmitir uma vasta gama de ideias tangíveis e intangíveis. A arte pode levar o espectador a diferentes tempos e a diferentes mundos. E também pode ser utilizada para introduzir diferentes níveis de vocabulário para alunos de uma segunda língua.

Aprender uma segunda língua, para a maioria dos adolescentes por exemplo, é uma experiência desafiadora. Eles não estão apenas tentando se adaptar a um novo idioma, mas também estão tentando se ajustar a si mesmos e a um novo ambiente. Eles são conscientes de quase tudo, mas eles são altamente conscientes de seu desempenho em sala de aula. Ao mudar o foco do aluno, para algo criativo onde todos participem, elimina-se assim um certo grau de auto julgamento.

A experiência da arte na sala de aula tem que ser de uma maneira agradável tanto para o aluno quanto para o professor. Não proponho um estudo profundo da arte, mas a utilização dela como ferramenta de desenvolvimento de linguagem. O aluno se familiariza com as obras de arte, mas ele realmente não precisa compreendê-las a fundo, é a primeira impressão que o aluno recebe como novo observador que irá fornecer o ponto de partida para a introdução de vocabulário.

A arte sempre foi uma ferramenta eficaz para o ensino e a aprendizagem entre várias classes de pessoas. Quando combinado com leitura, escrita, fala e audição, a arte pode abrir portas para altos níveis de análise e também desafiar os alunos a explorarem aos seus arredores e, assim, encontrar caminhos para uma compreensão e comunicação sofisticadas. Familiarizar os alunos com as artes é uma parte agradável do aprendizado autêntico. “O coração e a alma que complementam a mente e o corpo, uma poderosa força integrativa que ensina toda a criança social, criativa, emocional, intelectual e física” — (Le Francois, Psychology for Teaching, pg. 499).

Por que utilizar a arte em sala de aula?

As lições baseadas em obras de arte têm muitos benefícios para o professor e os alunos.

1. A arte pode ser muito estimulante e leva a uma grande variedade de atividades. Na sua forma mais simples, pode-se descrever uma pintura, mas com um pouco mais de criatividade são possíveis todos os tipos de exercícios. Por exemplo, a conhecida atividade de “Leilão de Gramática” pode ser redesenhada como um “Leilão de Arte”. E inúmeras adaptações com exercícios já existentes.

2. Usar a arte fornece uma mudança de ritmo. Enquanto muitos professores usam imagens visuais para introduzir um tópico ou item de linguagem, essa imagem pode ser uma peça de arte, o que os encoraja a se envolverem em um nível bastante diferente.

3. A incorporação de arte na sala de aula desenvolve habilidades de linguagem no mundo real. A visita a uma exposição de arte ou a um museu despertará hábitos que talvez o alunos/família ainda não tenham experinciando.

4. Pensar ou mesmo criar é muito motivador. Pode tirar a ênfase da precisão e colocá-lo em fluência e a capacidade de expressar claramente pensamentos e ideias. A resposta à arte tem potencial para desenvolver as habilidades de pensamento criativo. Alunos de um nível pré-intermediário, por exemplo, poderão ler uma breve biografia de um artista e discutir como sua arte retrata diferentes aspectos de suas vidas.

O excelente approach ao aluno ESL no Museu J. Paul Getty

Historicamente, os departamentos de educação em museus de arte se concentraram no uso de obras de arte para se envolver com a história da arte e práticas artísticas. Nos últimos anos, os museus têm reconsiderado a relevância de um foco histórico de arte para suas comunidades locais. Em Los Angeles, onde o Museu J. Paul Getty está localizado, os dados demográficos atuais indicam que 41% dos estudantes são aprendizes de língua inglesa, 94% desles falam espanhol. A linguagem através da arte: um currículo de enriquecimento de inglês para aprendizes de segunda língua, do Departamento de Educação do Museu, procura atender às necessidades desse público usando a linguagem universal da arte visual para ultrapassar as barreiras linguísticas.

O currículo usa objetos de arte como um catalisador para melhorar as habilidades de linguagem, desenvolver novo vocabulário e expor visitantes diversos a uma variedade de culturas e experiências mundiais.

Já o “Learning Through Art” do Museu de Belas Artes de Houston é um portal curricular que consiste em quatro partes:

  • Conexões curriculares: escritas e testadas por professores da área de Houston, as conexões curriculares são flexíveis e podem ser facilmente incorporadas nas aulas de artes da linguagem, estudos sociais, matemática, ciências e arte.
  • Biblioteca de imagens: procure por área de conteúdo e hábito mental ou disposição de pensamento para encontrar o trabalho de arte que se adapta às necessidades de sua sala de aula.
  • Dicas de ensino: técnicas para incorporar o ensino baseado em objetos em sua sala de aula e para integrar habilidades cognitivas de nível superior para promover o desenvolvimento dos alunos das habilidades do século XXI.
  • Recursos didáticos: recursos on-line com materiais de coleção do museu que podem ser facilmente integrados ao currículo K-12.

Inspire-se e leve também a arte a sua sala de aula!

Fonte e Sugestões de leitura

Thinking Fast and Slow — Daniel Kahneman
Where Good Ideas Come From — Steven Johnson
The War of Art — Steven Pressfield
The Creative Habit — Twyla Tharp
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