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Ruínas

Ouça amor,

os mariscos

arranhando as pedras.


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CÚMULOS

Nunca mais
olhou para o Céu
esse túmulo dos seus mortos

[o azul é vingativo]

Girou o eixo,
a Terra paira sobre sua cabeça,
o verde pende
e agarra as mãos.

Deixa aos pés o abismo


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A casa afetada pelo clima

Sopra o noroeste,
diferenças quentes
assobiam ao longe.

A noite quebra na parede uma panela de pressão.
Os gritos escorrem, como os feijões.


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Beira

Uma menina
com coração de coelho
tinha bolsos de pedras
e um rio profundo à sua frente.
Não pode dançar
com demônios em suas costas.

- Por favor, diga meu nome e não haverá nenhum afogamento.


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Alameda Barão de Penedo

Ao longo do canal
nasce musgo.
Jornal embrulha
voz do peixeiro:
perna de moça freguesa!
Surdo-mudo
estende a mão úmida
e girinos nadam no copo.
A árvore, um enorme tinteiro,
mancha a calçada de jambolões.

Ao longo do canal
nasce musgo.
Monsenhor oferta
um santo para cada dia
depois que beijar seu anel.
Homem da bicicleta
mostra o pinto,
meninas correm de medo.
A árvore, um enorme tinteiro,
mancha a calçada de jambolões.

Ao longo do canal ainda nasce musgo,
usos e frutos acabam como em todo lugar.


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A morte da afilhada de Nossa Senhora Aparecida.

Na lápide de cimento fresco,
com palito de fósforo, escrevi teu nome:
Odete Rodrigues Salgado

Na tua casa, no tanque,
a roupa aguardava desde ontem.
Silenciosa, lavei e torci as dores.

Tia, não lembro datas.
Teu nome, letreiro na memória,
ficou maior que o tempo.


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Canal 7

Da janela avisto a barra
esquina Constantinopla.
Navios em trânsito
apitam seus mundos
dentro dos meus.


desenho Katia Marchese
desenho Katia Marchese

Vestidos não choram no armário

A casa inflada de sons,
mulheres e palavras
motrizes dos desmoronamentos.


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Golpe

A mulher cortou
a primavera.

Observo a aridez
do sol a pino.

Ela tem um doberman
acredita em transgênicos


O Incontornável (para Gabriel)

(o contrário)
Encosto o vazio à palma da mão
porque sofro por teu azul.

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