Ó Pai Ó — 10 ano

Hoje, resolvi escrever sobre um dos filmes que eu mais admiro e considero e que na minha opinião possui um roteiro inigualável e coincidentemente neste ano de 2017 faz dez anos do seu lançamento. Peço licença aos críticos e aos mestres da arte que é o cinema e venho a escrever de forma crítica a partir das minhas vivências e experiência direta ou indireta sobre a temática do filme. Meu intuito é de forma entretida abarcar as principais críticas apresentadas nesta obra. Sem mas delongas o filme sobre o qual venho escrever é: ÓpaiÓ!

A princípio venho parabenizar a todxs artistxs que de forma magnifica nos possibilitaram desfrutar o trabalho que é traduzir o cotidiano, muitas vezes árduo, para o uma obra de arte desta ordem.

O filme é uma obra brasileira — comédia — com data de lançamento 2007, dirigida por Monique Gardenberg e com roteiro baseado em uma peça de Márcio Meirelles tendo como coordenador de trilha sonora Caetano Veloso, majoritariamente interpretado pelxs atrizes/atores do Bando de Teatro Olodum. A obra narra a história dxs moradorxs de um cortiço localizado no Pelourinho, na cidade do Salvador-Ba. Pelo viés da comedia o filme explana uma crítica social e os seus diversos contrastes tendo como plano de fundo o carnaval soteropolitano: Drogas, Mídia, preconceito, racismo, feminismo, aborto e violência. A música soteropolitana é um dos pontos mais marcantes no decorrer do filme compositores (as) e cantoras (es) como: Edson Gomes, Mariene de Castro, Gerônimo, Olodum, Caetano Veloso dão voz as músicas que funcionam como sinonímia da rotina e vivências dos personagens da obra.

Tendo como protagonista o ator Lazaro Ramos que interpreta o personagem Roque, dono de uma oficina e poeta que carrega consigo o sonho de ser cantor de sucesso. Roque faz parte de um dos muitos moradores do cortiço que pertence a D. Joana, evangélica e mãe de dois filhos — Cosme e Damião. Dentro desta perspectiva podemos notar a forte presença da amálgama religiosa. Além disso, é evocado uma apreciação negativa da Policia Militar do estado da Bahia que na atual conjuntura das gravações correspondia a um sistema defasado e despreparado para atuar de forma eficaz na garantia e preservação da segurança no estado, o que não é muito diferente dez anos após ao lançamento do filme.

As questões religiosas perpassam em várias cenas pois é de conhecimento público a intima relação do estado com o Candoblecismo, além da visão deturpada de outrem, por questões de ignorância, sobre as ideologias da religião. Também é possível identificar de forma nítida a relação da venda e uso de drogas para com suas relações no Carnaval e a recorrência da população pobre à prática do aborto, mostrando assim, uma crítica ao sistema de saúde vigente. O que podemos perceber é a falta informação e conhecimento acerca dos métodos contraceptivos e preventivos a DST’S.

É indubitável que a mensagem que nos foi deixada é que as personagens foram interligadas de uma forma metafórica a uma família, na qual vivem entre alegrias, tristezas e desavenças. Em consequência disso, a obra não nos possibilita um maior aprofundamento nas histórias das personagens, fazendo com que em algumas cenas fatos ficam subentendidos gerando uma ampla interpretação daquelxs que assistem.

Uma das cenas mais impactantes é interpretada por Boca (Wagner Moura) uma criatura de personalidade própria e um pouco perturbada e Roque aonde de forma esplêndida retrata questões étnicas-raciais. Roque rebate ao racismo expresso pela outa personagem e após ouvir o discurso de resistência Boca leva alguns minutos em silencio o que na minha visão o mesmo abre espaço para uma reflexão e se dar conta do quanto é vazio e sem sentido o seu posicionamento, logo após exclama um palavrão se esquiva da sua ignorância.

O filme é encerrado com a morte dos dois filhos de D. Joana que de forma errônea foram assassinados intencionalmente por um policial militar fora do seu horário de trabalho. As crianças morreram ao céu aberto de uma das vielas do Pelourinho, em contrapartida, de forma paralela a cena do homicídio a festa carnavalesca é exposta, ou seja, de um lado mais duas mortes da população preta e pobre e de outra perspectiva a festa na qual é fundamental vestisse uma máscara e esquecer as mazelas sócias encarada por essa população.

Assim, em contexto dramático e humorado o filme aborda essas diversas problemáticas reflexões sócias nas quais o povo soteropolitano está imergido cotidianamente e o sistema governamental e político despreocupado com a situação e qualidade de vida dessa gente.

Kauan Rodrigues Conceição

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