Desabafo — O mercado e os salários de tecnologia

Mitos e as verdades do que acontece lá fora

Sabemos que atualmente vivemos em uma situação extremamente delicada da politica-econômica brasileira, ouvimos todos os dias notícias de empresas mandando funcionários embora, empresas enxugando as suas despesas de todas as formas possíveis e inimagináveis. Não estou aqui para fazer juízo de valor sobre se isso está certo ou não, apenas para que possamos nos situar em meio a está adversidade do mercado.

Falando agora em uma esfera global sobre tecnologia; Segundo a Forrester as empresas aumentarão para US$ 2,9 trilhões os investimentos em 2016, o que significa um crescimento moderado que pode chegar até 5% até o final deste ano. Apesar das adversidades encontradas aqui e lá fora, as empresas continuarão a investir em tecnologia, pois sabe-se aqueles que não o fizerem estarão nadando contra a corrente e na contra-mão do mercado, sabendo que isso pode significar um grande impacto no futuro das companhias.

Vamos colocar uma lupa dentro desse mercado de tecnologia e falar especificamente do mercado de software e serviços de consultoria de tecnologia - 2016 será o melhor ano especificamente para essas duas vertentes dentro do mercado, sozinhos eles vão representar 1,5% e 1,4%, respectivamente, enquanto no mercado de venda de equipamentos a projeção que haja uma queda de até 3,3%.

Poderia colocar mais números aqui, por exemplo, software e serviços no Brasil tiveram um crescimento de 9,2% em 2015, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes). A expectativa para 2016 é de um crescimento de 3%. O Brasil se destaca como o primeiro em investimento no setor de TI na América Latina, respondendo por uma fatia de 45% da região, ou US$ 59,9 bilhões.

São números extraordinários certo? Mas você vai dizer — “Kauê, mas estou desempregado e não consegui nada até agora” — Realmente, isso pode acontecer, mas digo que não perca as esperanças e continue lendo este texto.


Ultimamente o número de empresas chamadas de StartUps tem crescido exponencialmente aqui pelas terras tupiniquins, mesmo que esse modelo importado dos EUA, especificamente do Vale do Silício, não tenha o mesmo significado por aqui. Não entrando muito neste assunto, porém se você trabalha em uma StartUp, salve exceções, você trabalha 12 horas por dia, com um salário abaixo do mercado, ou até mesmo em regimes de Pessoa Jurídica e salário fixado (sim, já vi isso), sem a possibilidade de ganhar por hora, aposto também que você tenha o benefício do vale refeição, e só. 
Mas a grande promessa é que você tenha participação da empresa no futuro, diretamente de seus fundadores/CEO, obviamente seus olhos brilham com a oportunidade de se tornar patrão. Com um ambiente descontraído que te oferece conforto, podendo ir de bermuda e chinela, você entra a hora que você quiser, trabalha com uma equipe chamada de eu-quipe, suas idéias são levadas em consideração apenas quando convém e pronto a mágica está feita, você está trabalhando numa futura empresa que pode valer milhões e IPO na bolsa de valores. #SQN

StartUp 2016

Não se engane, o mundo da StartUp é ótimo, é jovem, é inspirador, é empoderador e se você tem pouco a perder e muito a ganhar (leia-se, atualizar-se com o mercado) — aí lembra que eu pedi para você continuar lendo, exatamente — e se você está desempregado/a procura do primeiro emprego, é uma StartUp que você precisa. Pelo menos foi para mim. Toda a estória que estou contando tem como a perspectiva, o que eu vivi ou pessoas próximas viveram/vivem.

Comecei a construir esse texto a um tempo atrás mas não sabia muito no final qual seria o objetivo dele, talvez ele não tenha mesmo um objetivo e seja apenas um desabafo, porém um acontecimento nesses últimos dias me deixou realmente intrigado, explico:

Em um grupo na rede social do Zuckita da galera, um membro compartilhou a seguinte vaga:

Vou partir do pressuposto que este print não foi alterado e essa seja realmente uma vaga em uma empresa.

E aí? Agora jogo a pergunta para você, querido leitor, o que tem de errado nesta vaga?

Aparentemente nada, não é mesmo? Uma vaga, para desenvolvedor Front-end, aqui em São Paulo-SP, conhecimento obrigatório em HTML, CSS e JS, noções de Bootstrap, JQuery e SPA (Angular.js, Knoukout.js, React.js, etc), seguindo ele continua, [noções] APIs do HTML5, Asp.NET MVC e Node.js. Básico conhecimento em banco de dados, básico em leitura e criação de arquivos; [Sem especificidade] Java (JEE) com eclipse. Ensino superior de TI.

Top salários no Google nos EUA.

O salário está em torno de 4 a 5 mil reais bruto, se nós tomarmos como base o melhor cenário em que o contratado receba o maior valor proposto, ele teria um salário líquido por volta de R$ 4.120,00 + VR + VT. Super ótimo não é mesmo?

Só que não! Segundo o Glassdoor um salário de um desenvolvedor web, na região de São Paulo pode chegar a 7K. Porém acredito que com os requisitos mínimos pedidos na vaga acima esse salário pode facilmente ficar entre 6k e 8k, dependendo da extensão de conhecimento do contratado.

Mas existem perguntas que precisam ser respondidas:

a) Se existe oportunidade no mercado, por que as vagas não são preenchidas?
b) Por que tantas empresas reclamam de não ter mão de obra qualificada?
c) Se não tem mão de obra qualificada, onde estamos errando?

São perguntas que acabam uma dependendo da outra. Acredito que são — facilmente — colocadas quando se abre a discussão em uma roda de conversa sobre mercado de trabalho. Entretanto estamos olhando pelo prisma errado.


Um dos laboratórios que eu tive aula na minha época de faculdade.

Formamos profissionais sim, mas nem tudo que está em uma faculdade de sistema de informação ou análise e desenvolvimento de sistemas, realmente acontece no mundo real, o que acaba muitas vezes entregando pouco valor ao currículo inicial do profissional formado. Muitas vezes esses cursos são ministrados por faculdades sem nenhum investimento em tecnologia ou atualização do currículo. Alunos são obrigados a dividir computadores em laboratórios para aprender matérias novas, como pascal (não desmerecendo a linguagem de programação) ou obrigados a levar o seu próprio notebook. As matérias seguem um script antigo e defasado.

Então você tem que correr por fora, aprender linguagens de mercado, mas o que? Aprender o que com tanta variedade por aí? Melhor tentar um pouco de cada. Não formamos especialistas aqui no Brasil, não é uma prática muito comum e culturalmente eu entendo, afinal você tem que fazer de tudo um pouco quando está começando.

Preciso aprender tudo isso?

Mas quem é desenvolvedor/programador a grande realidade é; Não importa muito em qual linguagem você programe. Seja ela Visual Basic ou Swift, o importante como um bom profissional é que você saiba os padrões, os chamados de Design Patterns e boas práticas. É isso que vai te diferenciar no futuro. São matérias completamente inexistentes no currículo da maioria dos cursos que eu vi por aí e são essenciais para formar um bom profissional.

Então, antes de querer aprender qualquer linguagem de programação, conheça os padrões e as boas práticas, entenda de algoritmos e a mágica está feita.

Exemplo de empresa de tecnologia na década

Empresas que colocam na descrição de seus cargos linguagens específicas estão dando um tiro no pé. Não importa muito em qual linguagem a sua empresa trabalha, mas sim qual a experiência do programador que você quer agregar na sua equipe, pois isso determina a qualidade do código que sua empresa vai desenvolver e o custo que vai ser ao mante-la no futuro.

Empresas, não façam mais testes presenciais com os programadores, não levem ele para uma salinha, entregue um computador e um papel com um programa a ser desenvolvido ou perguntas técnicas a serem respondidas, nós não queremos isso, exija apenas um Github. E desenvolvedores, mantenham o seu GitHub atualizado, se você ainda não tem, crie-o, jogue tudo que você já escreveu de código lá, esse é o seu currículo no mercado.

Empresas e programadores exijam mais testes unitários dos seus códigos, isso economiza tempo no futuro e do lado da empresa economiza dinheiro.

Neo trabalhando em sua baia no filme Matrix

Ao contrário do que se busca, desenvolvedores não são peças que se encaixam na linha de produção de uma indústria; são pessoas extremamente criativas mesmo que do jeito mais introspectivos. Não coloque-o numa jaula 8 horas por dia e exija dele produção frenética de código, ele não funciona assim. Esse profissional é moderno e gosta de ter o seu espirito livre. Libertem os seus programadores e vocês verão a sua produção aumentar drasticamente e o recompense bem por isso.

Como desenvolvedores temos que estar constantemente nos atualizando, lendo documentações enormes e sempre aprendendo uma nova sacada. Não podemos nos permitir ser tratados tão barato, somos peças caras e devemos ter consciência disso. Se você aceita uma descrição de vaga igual a de cima pelo valor daquele salário, você está nivelando por baixo todo o mercado, prejudicando os novos amiguinhos que estão por vir. Se está numa barra, desempregado, pode até aceitar, mas não pare de procurar algo melhor e exija ser reconhecido futuramente por isso.

É isso pessoal, espero que tenham chegado até aqui. É um texto com muita opinião e pouca conclusão, mas é uma visão de quem ama o que faz e quer ver todo mundo amando também e sendo reconhecido por isso.

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