Nós, homens, também precisamos falar sobre o Machismo

“And since we all came from a woman,
Got our name from a woman and our game from a woman.
I wonder why we take from our women,
Why we rape our women, do we hate our women?
I think it’s time to kill for our women
Time to heal our women, be real to our women” — Tupac Shakur

Antes de qualquer coisa, quero dizer que esse não é um texto feminista. Eu, enquanto homem, heterossexual e branco, não sofri nem 10% dos problemas que muitas outras pessoas sofreram. Dessa forma, não me considero “feminista” ou algo que o valha, sou no máximo um entusiasta da causa.

Isso posto, é importante ressaltar que nós, homens, precisamos começar a discutir o machismo. Vendo a repercussão que o tema da redação do ENEM teve, eu me dei conta de uma coisa: os homens, em sua maioria, não entenderam nada. Nada. Assim, achei interessante mostrar que o machismo é um mal que atinge a todos.

Eu poderia ficar dias falando sobre como as mulheres recebem menos, sobre como elas sofrem com violência doméstica, estupro e com o assédio público diário. No entanto, para fins de entendimento, vou me ater à liberdade sexual. Durante toda a nossa vida, desejamos a mulher perfeita. Aquela que nos ame, que seja bonita, que seja inteligente e, principalmente, que goste de sexo. Mas, no padrão da sociedade (criado e incentivado por nós) a mulher que gosta de sexo (que se deixa ser filmada, fotografada, que gosta de fazer ménage, e por aí vai) é considerada “vagabunda”, “puta”, “rameira”, entre outros nomes. Ou seja: queremos que a mulher goste de sexo, mas criamos uma sociedade que condena as que gostam. Dá pra entender a falta de lógica? Será (e convoco todos a pensarem aqui) que se todos pudessem fazer aquilo que têm vontade, o mundo não seria um lugar melhor?

Outro ponto onde o machismo afeta aos homens é na própria liberdade masculina. Existe, no imaginário popular, um modo com o qual o homem deve se portar. Há todo um manual de conduta que o “macho alfa” precisa seguir, de forma que toda e qualquer conduta feita fora desse manual te tira a hombridade, te “emascula”. Recebeu menos que a esposa? Fraco. Coldplay é sua banda preferida? Bicha. Chorou quando assistiu Divertida Mente? Gay. Aquela mulher está completamente bêbada, caindo nos seus braços e tu colocou ela pra dormir sem fazer mais nada? Viado.

Ou seja, o machismo não se manifesta somente quando uma mulher é estuprada, quando morre uma mulher vítima de violência doméstica ou mesmo quando uma mulher sofre com revenge porn. Se manifesta também quando você diz que “mulher boa é santa na rua e puta na cama”. Ele está presente quando você condena uma menina por ser filmada dançando sem calcinha. Ou quando você chama seu amigo de “mulherzinha” porque ele chora no fim de um namoro.

É preciso entender que, antes de qualquer coisa, o machismo é um limitador de liberdades, que mantém um status quo onde determinadas pessoas são melhores que outras. Todos nós precisamos combatê-lo no dia a dia, para que aquela menina possa sair de minissaia sem “pedir para ser estuprada”, que as mulheres possam gostar de sexo sem culpa ou medo de serem expostas e para que os homens possam ter sentimentos sem medo.

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