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Porque você deve ser gentil, e não bonzinho

Da perspectiva de alguém que foi bonzinho e se deu mal!

Meu foco principal aqui é a gentileza, mas para começar, devo explicar o que entendo por ser bonzinho. Ser bonzinho significa querer agradar os outros. E quase sempre (talvez sempre), aquele que quer agradar, na verdade, está querendo construir uma boa autoimagem e esperando alguma recompensa por isso. Daí para se tornar uma pessoa ranzinza e cheia de rancor é um passo. Porque quando a recompensa não vem, no lugar dela vem a frustração. A diferença entre alguém bonzinho e alguém que nunca está disposto a ajudar é que o bonzinho ainda não se frustrou o suficiente. Mas vai. E aí, a “bondade” dá lugar à má vontade.

Já a gentileza só tende a se fortalecer. Uma pessoa gentil não espera nada em troca, mas sabe que a gentileza já é a própria recompensa. Ao ser gentil, ela se sente bem, e por se sentir bem, ela é gentil. A sua gentileza e seu bem-estar se reforçam mutuamente. Cada vez que é praticada, ela se torna mais natural. Mas não estamos habituados a agir assim e talvez seja difícil mudar. Mais do que uma característica inata de determinadas pessoas, a gentileza é uma habilidade que se pode treinar e, como qualquer treino, exige esforço e diligência. Andei pensando em como desenvolver essa característica no dia-a-dia, aproveitando as situações cotidianas da vida. São 4 formas de exercício que consigo visualizar:

  1. Se você tem o hábito de ser bonzinho, desconfie de que está no caminho errado (pois você está). Lembre-se de quantas vezes você tentou ser bonzinho e não deu certo, quantas vezes você se frustou porque alguém não retribuiu a sua bondade.
  2. Seja gentil consigo mesmo. Pessoas boazinhas tendem a se martirizar quando têm uma frustração. Você deve fazer exatamente o oposto. Tranquilize-se. Você não saberá ser gentil com os outros, se não souber ser gentil consigo mesmo.
  3. Desenvolva paciência. A paciência é uma grande aliada da gentileza. Se você é muito impaciente, é mais provável que você acabe agindo ou falando de maneira rude. Em várias situações e lugares, podemos treinar a paciência: trânsito, transporte público, trabalho. Aprenda a relaxar em momentos de irritação.
  4. Onde quer que esteja, esteja disponível. Muitas vezes, estamos dentro de uma bolha que não inclui as pessoas ao nosso redor. Saia dessa bolha, nem que seja por um instante. Enxergue as outras pessoas. Um simples olhar acolhedor, um sorriso ou um bom dia para alguém pode fazer uma grande diferença.

A listagem numérica é meramente didática, não precisa ser seguida nessa sequência, nem de uma forma linear. Adapte como for melhor para você. Pode acrescentar outros exercícios também (inclusive, ficarei feliz em receber sugestões nos comentários). Não sou nenhum doutor em gentileza, apenas alguém que encontrou algum benefício nessa qualidade e tem tentado desenvolvê-la de alguma forma. Pessoalmente, tenho um histórico muito maior sendo bonzinho do que sendo gentil. Por exemplo, muitas vezes em que me apaixonei por alguém, tentei ser bonzinho com a pessoa. De todas as vezes, ou não deu certo, ou deu certo no começo mas foi se desgastando com o tempo. Acho que uma das piores formas de começar um namoro é sendo bonzinho. É fake, não dá certo, não se sustenta. Melhor ser honesto, não ter medo de ser imperfeito, mas na medida do possível se esforçar para desenvolver um bom coração.

Espero que o meu texto te beneficie de alguma forma. Se gostou, clica lá no coraçãozinho! Quem sabe não beneficie mais pessoas? Se você tem algum relato, compartilhe nos comentários!