8 obras de autorxs negrxs para ler no Mês da Consciência Negra

No Mês da Consciência Negra, a Editora Kazuá separou 8 obras escritas por autorxs negrxs e publicadas por nós como dica de leitura ou presente. Sabemos que a presença negra na literatura ainda é pouco expressiva e trabalhamos para incentivar cada vez mais autorxs negrxs a escrever a sua história e difundi-las! Além de recomendar a leitura dos títulos abaixo, queremos receber novas obras escritas por negrxs e de literatura temática. Clique aqui e envie o original.

1: Livro “Amor”, de Negra Anastácia

Matriarca da Editora Kazuá e poeta peculiar, Negra Anastácia é uma entidade que acima de tudo preza a palavra. Ela brinca com as letras e com o mundo ao redor e se define poeta: é como gosta de ser chamada. Tão difícil de explicar quanto o próprio sentido por trás das palavras, resta-nos apenas perceber a energia emanada de seus versos, que provocam e orientam seus leitores.

Em “AMOR”, Negra Anastácia apresenta versos que hora validam e hora desmistificam o conceito tradicional a respeito do que é o “amor” e todas os desdobramentos que esse sentimento implica. Seus poemas são uma quebra com os padrões estéticos de literatura e conferem à obra — que é toda ilustrada por Kabila Aruanda — um tom de ruptura com o padrão
normativo.

2. Livro “Fotografias desmemoriadas de mim, de ti e de outrem”, de Francisco Alves

Francisco Alves Gomes é escritor, poeta, dramaturgo e ator amador. Faz parte da Companhia do Pé Torto. É professor do magistério superior, atuando no curso de Licenciatura em Educação do Campo Leducar da UFRR. Possui graduação em Letras — Literatura pela Universidade Federal de Roraima — UFRR. Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de
Brasília — UnB, onde atualmente cursa o doutorado.

A obra “Fotografias desmemoriadas de mim, de ti e de outrem” é um conjunto de impressões do escritor acerca dos mais diversos temas que perseguem nossa condição humana. Os sujeitos dos contos são pessoas aparentemente normais, no entanto, por alguma suspensão
existencial ou inexplicabilidade da vida são levadas para situações que beiram o absurdo.

3. “Um saci em Sampa”, de Luciano Nunes

Luciano Nunes é nascido em Minas Gerais e hoje reside em São Paulo, onde atua no Governo do Estado. Formado em Letras (Língua Portuguesa), é professor de Língua Portuguesa, revisor textual e escritor.

O Saci Pererê foi desterritorializado de seu habitat: a mata. E, pela mão hábil do autor Luciano Nunes, territorializado na metrópole paulistana, onde foi curtir suas férias. Assim ele conhece muitos cantos da Cidade-Que-Não-Para, lendo os clássicos da nossa literatura, que Yara, sua mãe, o ensinara a ler.

4. “LUIZA”, de Plínio Camillo

Plínio Camillo é um autor nascido em Ribeirão Preto, formado em Linguística pela USP, que encontra inspiração nas vivências do cotidiano para produzir seus escritos. Com 14 livros publicados, sendo 15 pela Editora Kazuá, Plínio dialoga com as questões de representatividade e empoderamento com o preciosismo de quem vive na pele essas marcas.

Em “LUIZA” encontramos, antes de mais nada, um convite à ancestralidade dos cultos, culturas, dialetos e costumes do povo negro, que é, nesta obra, todo ele personagem principal. Inspirada e dedicada a diversas Luizas, o livro apresenta a figura feminina como sendo forte, guerreira, aguerrida e dona de seu próprio destino.

5. “Aqui, tudo é samba”, Raquel Tobias

Raquel Tobias é cantora, compositora e representa grande relevância no mundo do samba. Nascida e criada na Zona Sul de São Paulo, atualmente ela preside o Samba de Todos os Tempos e integra a Ala de Compositores do Samba da Vela. Dona de uma voz de trovão, a negra Raquel estremece com seu canto todos os lugares onde passa.

Ela é a primeira homenageada da coleção “Aqui, tudo é samba” que, em 13 volumes, apresentará as gestas de figuras que vivem do e para o samba, mantendo a chama da cultura popular acesa e não deixando o samba morrer.

6. “Reminiscências do caseiro Genival”, de Valciãn Calixto

Nascido aos treze dias do mês janeiro em 1991, Valciãn Calixto é poeta, formando em Comunicação Social pela UESPI, guitarrista e compositor na banda Doce de Sal.

Reminiscência é um fragmento, um pedaço de consciência de outrora que se fixou na memória. É, portanto, fratura de tempo congelada, a esforço, no peito de quem lembra. Em “Reminiscências do caseiro Genival”, Valciãn Calixto apresenta uma voz titubeante, algo bêbada, que não está lá, não se apresenta, nem diz a que veio.

7. “BOOD: O pastor das ruas”, de Vicente Blood

Tendo iniciado no rap em 1994 a convite de um amigo, Vicente Blood se identificou rapidamente com o mesmo e a partir da primeira vez que pegou em um microfone (o que ocorreu no início do ano seguinte) estava decidido que era isso que queria fazer, Blood diz que o rap foi seu primeiro contato com o conhecimento geral pois buscava assuntos variados para composições o que fazia estudar de tudo um pouco.

“BLOOD: O pastor das ruas” é uma história real de um jovem negro que teve sua infância conturbada, marcada pelo preconceito, separação dos pais, a chegada do seu primogênito e muitas outras situações que, aos 18 anos fez com tomasse uma decisão que iria mudar totalmente a sua vida e a da
sua família: ingressou no mundo do tráfico.

8. “Para criança meter o nariz: Três para infância e juventude”, de Waldomiro Ribeiro

Natural da cidade de Macaparana, interior de Pernambuco, Miro Ribeiro atualmente mora na cidade do Recife. Em sua intensa inquietação como bom leonino com lua em peixes, se utiliza de várias linguagens artísticas para se conectar com as pessoas e com o mundo. É músico, compositor, ator, diretor, escritor, cordelista, produtor cultural e arte-educador. Quando consegue, ainda é menino que corre descalço pelas margens dos rios da cidade que nasceu.

“Para criança meter o nariz: Três para infância e juventude” reúne três dramaturgias que abordam questões pouco discutidas com a criança, tais como o machismo, violência contra mulher, questões de gênero, ganância, preconceitos e morte. Os temas são abordados com muita sensibilidade e sem o didatismo “infatilóide” imposto normalmente nas obras dramatúrgicas para infância e juventude.