Movies for Life

Mary & Max - Uma Amizade Diferente

Sempre tive um interesse muito grande por animações. Se dirigir um filme com pessoas não é tarefa fácil, imagino como deve ser muito mais desafiador colocar emoções em desenhos e posteriormente animá-los com naturalidade.

Desde pequena tive minha conta aberta na locadora mais próxima de casa, fato que sempre me possibilitou ir e vir até ela sem depender dos meus pais. Me lembro como se fosse ontem, revirando a seção infantil e escolhendo qual seria minha fita do dia, sim, eu vivi pra assistir uma fita VHS e sim, eu era uma pessoa que rebobinava antes de fazer a devolução. Mas isso não vem ao caso.

Ainda nessa época, desenvolvi o hábito de assistir os filmes que mais gostava não apenas vez, mas inúmeras vezes.

Há algum tempo atrás, pela indicação de um amigo, assisti pela primeira vez (de muitas) a animação Mary & Max — Uma Amizade Diferente, dirigida por Adam Elliot, uma animação em massinha lançado em 2010, um tanto depressiva, porém, encantadora.

De maneira dramatizada e repleta de improbabilidades, o filme gira em torno de uma amizade entre Mary Daisy Dinkle, uma garotinha australiana de 8 anos e Max Jerry Horowitz, um nova-iorquino de 44 anos. A narração binária, mostra a vida de dois personagens em paralelo que constroem uma amizade através de cartas. A correspondência inocente muda a vida de ambos para sempre. Inicia-se então, uma longa discussão entre temas que fazem parte do nosso dia-a-dia: Religião, Obesidade, Vida em Sociedade, Amor e principalmente a importância da Amizade.

Mary & Max tem uma característica bem única se comparada com o restante das animações num quesito geral; é criado uma atmosfera que representa diretamente a caótica estrutura emocional dos personagens que fazem parte da trama, que são acompanhadas por todos os elementos do filme, principalmente nos cenários, ricos em detalhes, porém sem vida — a Austrália em apenas tons terrosos e Nova York em tons cinzentos, com apenas alguns objetos estrategicamente retratados em vermelho.

Ao final da animação, quando enfim os personagens se encontram pessoalmente, somos surpreendidos com um acontecimento triste. As cenas finais, para mim, são as mais marcantes, pois mostram a verdadeira importância que um personagem tinha para o outro.

O que mais me impressiona em animações, é o fato delas atualmente não serem estritamente direcionadas a crianças. O público adulto adquiriu recentemente mais uma categoria de filmes para acrescentar na lista, as animações. Mary & Max por exemplo, não seria exatamente o tipo de filme ideal para uma criança assistir. De fato, as animações vêm quebrando alguns padrões impostos, tal produção acaba mostrando a ousadia do diretor em relação às demais animações, ao elaborar um projeto totalmente doloroso e cheio de dúvidas que batem diretamente de frente com as animações “estilo Pixar”, normalmente com sua superfície rica em cores e enredo cativante.

Caso tenha sido despertado em você, o desejo de saber um pouquinho mais sobre essa animação, pegue sua lata de leite condensado e assista o trailer abaixo, e quem sabe logo em seguida, o filme completo.