Mergulhe mais fundo…

Carrossel Emocional — KeL do Nascimento

Ao mergulhar num retrato, numa frase marcada de um livro, numa música, numa página de um diário antigo, num quadro de diploma, quase conseguimos sentir o sabor, o cheiro, o sorriso, a textura, o som…

Mergulhamos na lembrança como quem mergulha num oceano. Debaixo d’água avistamos um fantasioso mundo vintage, repleto de sereias (todas as que fomos um dia) que muitas vezes nos levam a nadar na direção errada. E o pior, sem perceber que podemos nos afogar!

E quantas vezes saímos da água cansados de se debater, marejados e rezando por um barco que nos leve para longe das ilhas do medo, da frustração, da inveja ou do ressentimento? A gente se lamenta pelo tesouro que ‘perdeu’ para o mundo e vive num ETERNO nado crawl de piscina: de um lado para o outro. É nesse “Ah, como eu sabia viver!” que vamos buscando, já sem ar, a fonte de todo aquele prazer encantado afim de embriagar-se uma última vez.

O que a gente não percebe é que não precisa nadar para os lados, nem ficar com a cabeça para fora da água. Precisa sim ir mais fundo e viver menos de aparências. Com a televisão aprendemos muito rápido a dar esse mergulho raso, mas ficamos mesmo profissionais em crer e contar nossas gotas de prazer foi com as medias sociais. E olha, antes de ficar magoado porque está apegado as suas gotas, saiba que minha intenção é unicamente fazer o mesmo convite que fiz a mim hoje — pois também estou apegada as minhas gotinhas! Então aí vai:

Vamos mergulhar mais fundo na gente mesmo!?

Para lembrar que os problemas sempre existiram (para todo mundo!). Para entender que a gente sempre lutou — ou que sempre teve alguém lutando com/pela gente e que pode ser a hora de retribuir. Para cair a ficha de que aquela lembrança do momento feliz, aquilo que a gente idealiza tanto, também aconteceu no olho de um redemoinho de conflitos que a gente não fotografou, compartilhou ou não lembra. Para aprender de uma vez e para se esforçar em estar presente (no agora), mesmo quando a água estiver turva. O hoje é o novo ontem. Amanhã você vai estar olhando para ele numa lembrança em forma de foto, perfume, carta, som…

Dá superfície a gente vê o que quer, mas podemos escolher para onde vamos nadar.

Quando deixamos de lado as queixas, nos permitimos olhar através do tempo e reconhecer a felicidade em cada momento sem precisar persegui-la ou prender-se a ela. O foco não é machucar nem remoer, mas sim resgatar aquela força de superação que sempre esteve aí dentro de ti e que está gritando debaixo de toda água que você vai engolir se nadar para o lado errado.

Você não perdeu o brilho no sorriso. Você não afundou o senso de humor na faculdade, no emprego ou nos problemas. Você não deixou a criatividade escorrer pelo ralo. Você não esgotou as suas oportunidades. Você não é os seus erros. Você não é só os seus defeitos. Você não é insignificante e tampouco está velho de mais. Então não deixe que estes pensamentos encurtem a sua respiração.

Nada de cair no canto da sereia ou de transformar uma lágrima num Tsunami! Expanda bem os pulmões, mergulhe fundo e nade em direção ao verdadeiro tesouro que está guardado no escuro nesse mar de lembranças e nesse oceano de emoções — A sua força!