13 - Whats app
-Vai lá, fala com ele.
-Não. Melhor deixar tudo como está.
-Ah, que isso, um oi não vai matar ninguém.
-É, mas dificilmente vai ficar só no oi.
-E se não ficar? Que mau que tem?
-Tem que eu não posso. Muito menos ele.
-Olha lá, ele falou oi. Fala de volta.
-Não. Não vou falar nada.
-Para de mentir pra você.
-Quem disse que estou mentindo?
-Hey, não me subestime. Eu sou sua consciência.
-Ta bom, ta bom. Eu vou responder, mas vou demorar um pouco.
-Pra quê? Encurta esse tempo mulher, responde logo.
-Mas ele vai tocar naquele assunto.
-E daí?
-Daí que não quero falar…daquilo.
-Não quer ou tem medo?
-Não quero!
-Pra cima de mim?
-Ta bom, ta bom. Tenho medo. E saia da minha cabeça.
-Eu moro aqui, aceita que dói menos. Mas medo de quê?
-De não me segurar.
-Segurar de quê?
-De ser eu e ferrar com tudo.
-Olha, pelo que eu lembro, da última vez que você foi você; ele adorou.
-Não fode.
-Vai falar que não lembra?
-Lembro, mas..
-Mas nada. Foi muito bom.
-Não posso fazer essas coisas. E nem foi assim tão bom.
-Ah tá. Não foi. Imagina..
-Ok. Foi bom, foi ótimo. Mas foi só aquela vez.
-Sei…
-É sério.
-Bom, mas é falta de educação não responder.
-E se ele quiser?
-Quem está convidando é ele. Você estava no teu canto.
-E faz de mim menos errada?
-Não, mas me deixa mais confortável.
-Você é uma sacana.
-Não se esqueça que eu sou você, sou feita de você.
-Você é uma versão desgraçada de mim. E eu não posso. Não à essa hora.
-Quer hora mais oportuna que essa? Mulher, é de madrugada que as coisas acontecem.
-Mas ele tem restrições.
-Hey, quem tem que dar conta disso é ele, não você. No caso; não eu.
-É, você tem razão. Quer dizer, eu tenho razão.
-Dê a César o que é de César.
-O quê?
-Nada não. Responde ele logo.
-Ta, já vou.
-Espera!
-Que foi?
-Põe aquela blusa que ele gosta.
-Pra quê?
-Pressentimento.