19 — Tuas mãos são conchas, pra eu me esconder e ouvir o mar….

-Pascual?
-Oi.
-Bão?
-Bão.
Erguendo os olhos em direção onde ela estava, ele não precisou perguntar de volta.
Apenas chegou para o lado e se encostou na parede para que ela pudesse se sentar ali no chão ao seu lado.
O cheiro do amaciante da roupa dele se disperçou pelo ar, enquanto as lágrimas dela molhavam-lhe o ombro da camisa.
Ela não saberia o que lhe falar. Por sorte ele não precisava perguntar nada. Ele precisava apenas estar ali.
Precisava apenas daquelas mãozinhas gordinhas e macias entrelaçadas à dela.
E por fim, ela não precisaria de mais nada. Porque tudo ficaria bem. As vezes a gente se sente melhor sendo acolhida do que questionada, e prefere chorar despercebida no canto de um abraço do que sanar qualquer pergunta que nossas dores ainda não têm como responder. E ser amigo é isso, é partilhar os melhores e piores momentos da gente.

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