Yasuo

-Ô Thiago…
-Oi amor
-A gente precisa conversar….
-Tô jogando agora amor.
-Pausa isso ai ué!
-Tô jogando online amor….
-É que eu achei umas coisas na sua gaveta.
Ele procura na memória o que ela poderia ter encontrado e frente ao parecer da constatação viu que dali pra frente não viria coisa boa.
Virou a cabeça lentamente e viu a namorada que o encarava batendo o pé esquerdo irritadamente no chão.
A essa altura pouco importavam os tiros que alvejavam seu Yasuo que se encontrava frente a uma morte iminente.
Ele engoliu em seco, o silencio metralhava seu coração e o suor agora escorria pela sua testa. Ele pigarreou tentando desfarçar o panico.
-Eu….rhm…..eu posso explicar.
-Eu não sei se eu quero saber…
-Calma amor…isso…isso é normal. Os homens tem disso.
-Não tem não! Tem?
-Calma. (Porra….pensa, pensa pensa) Kamila…
Ele encarou o chão, catando as palavras ao vento e tentando organizar de uma maneira que a ferisse menos.
-(Porque você não se livrou disso enquanto podia..) Eu..eu não posso….
-Mas eu pensei que você….que eu…
-Ká…são apenas revistas.
-São pertubadas.
Silêncio.
-Eu sou pertubado então.
-Quando isso começou?
-Tem um tempo…
Ele coçou a nuca afastando os pensamentos.
-E você já…
-Não….Não….como eu disse…são só revistas.
-Você ia me contar um dia?
-Provavelmente não.
-E agora? E agora que eu sei?
Ela mais gritava do que conversava
-Você decide.
Ele sentiu a mão dela fervendo em seu rosto, derrubando os fones de ouvido no chão.
-Você é doente.
Apenas seus passos eram ouvidos cada vez mais baixos enquanto ela saia para nunca mais voltar.
O pai abre a porta do quarto depois de um tempo e olha pro filho sentado na cama encarando o nada.
-Ta tudo bem filho?
-Ta.
-Eu ouvi a Kamila..
-A gente brigou pai. Ela foi embora.
-Vocês terminaram?
-Sim.
-Porquê? Cê gosta tanto dela.
-Não deu certo pai. Deixa isso pra lá.
Ele caminhou até a cama, pegou os fones do chão, colocou em cima do criado mudo; sentou ao lado do filho e pousou a mão em seu ombro.
Aquele olhar terno de compreensão, de amor de pai fez ele sentir que havia feito a coisa certa a deixando ir.
Ele abraçou o pai com força.
-Obrigado pai.
-Você encontra outra garota junior. Uma melhor que ela.
Eles se desvenciliaram do abraço e o pai pode ver o jogo aguardando o start.
-Cê vai jogar legends?
-Vou.
-Posso jogar com você?
-Traz o notebook lá.
O pai sai e volta com duas garrafas de cerveja na mão e o laptop debaixo do braço.
-Pega aqui.
-Brigado pai.
Eles iniciam o jogo pra tentar afastar os problemas.
-Junior..
-Oi
-Eu..ahm…queria te dizer obrigado. Por causa daquele dia.
-Esquenta não pai.
-É serio..Você….você poderia..sei lá…me achar depravado…eu tive medo de perder você.E você sabe que eu te amo muito né filho.
-Eu sei pai.
-Obrigado por entender.
-Eu não entendo pai.
-Bom…por aceitar.
Ele acentiu com a cabeça.
-(Tudo bem hoje em dia um homem gostar de dar a bunda, mas tinha que ser logo meu pai? Com o sócio dele?) Tudo bem.
-Cê jogou elas fora?
-HUm?
-As revistas.
-Ahm….não….eu tinha guardado na gaveta. Eu…eu vou jogar.
-Se livra delas pra mim filho. Se a sua mãe descobre um negocio desse, nosso casamento acaba.
Infelizmente ele sabia que seria assim.
Choro.
-A lulu acordou.
-É…eu ouvi. Sua mãe ta cansada. Vou lá no berço pegar ela. A gente joga mais outro dia.
-Ta. Amanhã tem campeonato.
-Ahm….amanhã eu tenho ahm…reunião até tarde.
O filho entendeu a situação.
-Ah…
Ele saiu porta afora para acodir a filha de seis meses. A essa altura esguelando no berço.
O Junior ainda pensou por alguns minutos em tudo o que aconteceu sem chegar a conclusão nenhuma.
Terminou de beber a cerveja e voltou a jogar. Não entendia o porquê das revistas pornos gay do pai. Começou a lembrar do dia em que as encontrou e o confrontou. Acabou por fim descobrindo o affair com o Jorge. Decidiu então que não era importante entender. E que amanhã mesmo se livraria das malditas revistas.
Aquelas imagens ainda estavam na sua cabeça.
Coçou novamente a nuca pra afastar as lembranças ruins.
-Droga!
E assim Yasuo morreu novamente.

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