14.05.17

Passei o dia evitando receber ou ler aleatoriamente alguma mensagem de dia das mães. Há sempre algum equívoco ou julgamento raso em todas elas. É necessário que sejam simples e bonitas para serem facilmente lidas e compartilhadas e por isso mesmo acabam sendo pobres e muitas vezes ridículas pra mães que como eu realmente refletem sobre toda a complexidade da maternidade e não só vivem o dia a dia de *padecer no paraíso* da poesia sexista e machista que nos imputam desde o primeiro positivo beta-hcg. Há sim beleza e poesia na maternidade, claro que há, só é preciso começar a pontuar as relevantes de verdade, aquelas que valorizam a mãe de carne e osso e falhas, que mostram aos filhos como a mãe dele é fodona mesmo não sendo sempre linda, calma, organizada, atenta, prestativa, alegre, disposta, sacrificada. A mãe é humana, tenta-erra-acerta, mas te ama e vai fazer o melhor que pode por você, essa é a essência da maternidade e também do amor em geral. As futuras mães, as mulheres, a sociedade e sua multiplicidade de identificações de papéis e gêneros, precisam exercitar o olhar mais realista e compassivo com aquelas que assumem a função materna. Não é fácil. Três palavras: Não é fácil. Revisem seus padrões, prestem mais atenção no amor do que nos deveres e obrigações. Filhos não são feitos de massa de modelar, eles vão crescendo e se formando como indivíduos com a nossa ajuda,mas não dependem só de nossas vontades que eles se tornem pessoas maravilhosas e perfeitas para o mundo. A maioria das mães faz sim o que podem, dentro do que tem de instrumental mesmo de sere humanos, dentro das condições sociais e econômicas e físicas e psicológicas. Meu filho fez 12 anos mês passado. A cobrança para que eu forme um homem ético e sensível dentro da estrutura machista e misógina existente, dentro do contexto político de autoritarismo de poder econômico e do acirramento da indiferença e ódio social, está cada vez maior. Estou fazendo o que posso e ainda assim me culpo por achar que não estou fazendo o suficiente. É isso, uma das características da maternidade é quase sempre não se sentir suficiente, a tão famosa culpa. 12 anos atrás embarquei nessa jornada. Não me arrependo. De lá pra cá virei a mãe de Gui, e isso é o que acontece com sua identidade quando você se torna mãe. Meu nome é Kelly e eu sou mãe. Não é tão ruim, eu gostei dessa identidade e venho vivendo com essa primeira definição de mim muito bem. 12 anos de muita dificuldade, muito choro, algum desespero, mas muita fé na vida. Sempre soube que meu amor por ele seria nossa arma e escudo pra seguir no mundo. Diante de todos os erros e acertos que tive nessa jornada hoje posso dizer com segurança que ele está bem, saudável, vivendo uma infância rodeado de pessoas que o amam e fazem tudo que podem por ele e isso é o essencial. Novamente, mães e mundo, o essencial é sentir-se amado. É saber que não importa o que aconteça, essa pessoa, sua mãe, estará lá por você fazendo o melhor que conseguir. Agora nessa fase de nossas vidas estou finalmente tendo um pouco de tempo de buscar as coisas que adiei para cuidar dele nos seus primeiros anos de vida. Não como um sacrifício, foi apenas uma racionalização. Tudo no seu tempo e tudo dará certo. Aos 34 anos de idade poderia estar bem melhor profissionalmente mas tenho confiança nas escolhas que fiz. Não me arrependo. 14.05.2012. Há 15 anos comecei a namorar o pai do meu filho. Idas e vindas não estamos mais juntos. Espero mesmo que ele esteja tentando ser o melhor pai que ele possa ser. A sociedade exige bem menos da paternidade. Mas a vida, os filhos , exigem trabalho duro de ambos os lados. Espero mesmo que ele perceba isso. Reflita sobre isso. Me sinto só nessa caminhada desde o primeiro momento, sei que não é total culpa dele, existem mil variáveis para que nós mães tenhamos este sentimento de solidão no mundo. Espero mesmo que um dia isso mude. Espero que um dia a sociedade evolua pra uma compreensão bem maior sobre o cuidado com as crianças e que não haja mais um dia das mães sem sentido. E sim um dia a dia de um cuidado que seja compartilhado…mas isso já é uma visão de um futuro que existe como possibilidade nessa minha mente incansável. 14.05.17. Eu chorei abraçada ao meu filho lembrando de tudo que passamos , feliz com onde estamos e cheia de esperança no nosso futuro. E ele disse *mãe, eu te amo*.

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