O que eu descobri sobre liderança sem ser chefe de ninguém

A primeira coisa que aprendi foi que não precisamos de um cargo de liderança para liderar. Um dos grandes aprendizados foi que livrar-se da culpa de estar liderando algo que ninguém te deu um título pra liderar é uma grande coisa quando — principalmente quando tu acaba impregnada pela lógica das organizações hierárquicas a vida toda.

Graças ao "nosso senhor do trabalho" não trabalho numa empresa hierárquica e limitadora de iniciativas, pelo contrário, aqui se tu tem uma idéia, faz e depois pede desculpas — se for o caso. Não tem muita burocracia para mover e experimentar coisas novas. Há espaço para movimentos inovadores, projetos de justiça social e desenvolvimento .

Há uma fé que estamos todas fazendo nosso melhor, uma democratização de poder para fazer as coisas acontecerem em conjunto (tu sempre acha pessoas aliadas). Eu me vejo como uma pessoa entusiasmada quando se trata de fazer coisas acontecerem e quando identifico algo que pode melhorar a forma que entregamos valor eu logo tomo iniciativas. Vou te poupar de contar todos os erros — são muitos todos os dias — e vou focar nos aprendizados. Lá vai:

  • Eu sou líder, não chefe — a gente lidera ideias, iniciativas, projetos e trabalha com pessoas para isso acontecer. Descobri que se eu tenho uma visão, e levo essa visão para outras pessoas, nós vamos fazer isso acontecer e isso é liderar. Mesmo sem um cargo formal ou uma ordem: lidere isso. Liderar é fazer coisas acontecer através de outras pessoas e com outras pessoas. Se você tem responsabilidade e toma decisões você está liderando;
  • Liderar não é mandar — todo mundo tem suas responsabilidades e o teu trabalho como líder de uma iniciativa é entender onde cada pessoa está e como caminhar com ela até onde precisamos chegar. Não é gerenciar, não é controlar, não é mandar;
  • Quem carrega o mundo nas costas, não carrega nada de verdade — às vezes rola um sentimento de sobrecarregamento, principalmente quando pensamos que somos responsáveis por cada ação de uma iniciativa. Nesses momentos, dividir isso com o time que está contigo ajuda a abrir espaços de lideranças e compartilhamento de responsabilidades, principalmente em times auto-gerenciáveis, autônomos e de alto desempenho. Se tu parece muito ocupada o tempo todo, gera uma distância das pessoas (que não querem te ocupar) e isso fecha portas de comunicação, feedback e de escuta;
  • Gerenciar expectativas — delegar é uma palavra que eu não gosto muito, mas quando a gente sai de uma reunião com as ações claras, datas de entrega e o que esperamos alinhados facilita muito no andar do projeto;
  • Pessoas não são recursos — isso é muito amplo e tem vários significados, mas aplicado à liderança, posso dizer que aprendi que as pessoas não precisam fazer as coisas como eu faria, nem no tempo que eu faria. A colaboração implica essa lógica e transparência, humildade e respeito permitem que tu te abra para as pessoas e suas ideias;
  • Escutar não é ouvir — Essa foi a lição mais valiosa. Fazer perguntas, ser empática, querer genuinamente ouvir aquela pessoa que está na jornada contigo, além de básico é difícil. Costumamos achar que já sabemos quem as pessoas são e o que vão falar (nos achamos espertas), mas a verdade é que estar presente e escutando de verdade exige essa quebra de suposto saber;
  • Dar sempre o meu melhor — aprendi que quando dou o meu melhor as pessoas se inspiram e se engajam. O exemplo é sempre um boa liderança, assim como a sensação de que tu estás realmente colocando a mão na massa.
  • Follow up — ainda uma habilidade em desenvolvimento, de novo isso se conecta com a sensação de que as coisas parecem muito mais importante pra ti do que para as outras pessoas. Aprender a resgatar coisas, organizar ações, checar as combinações não tem a ver com gerenciar necessariamente. Só depende de como tu faz isso, mais uma vez se tu tens uma iniciativa para mover, caminhar com as ações vai estar dentro do escopo;
  • Pessoas, pessoas, pessoas e mais pessoas — além da premissa quase que clichê de que pessoas são tudo, aprendi que estar na jornada de uma missão com pessoas é realmente entender que sem elas, nada acontece.
A liderança é uma jornada e não um cargo!

Essa jornada tem sido extremamente rica, desafiadora e prazerosa para mim. Queria deixar aqui o meu muito obrigada às pessoas que estão comigo nesse caminho, tenho a linda oportunidade de aprender todos os dias.

Kelly Maia