Muito obrigada

Obrigada. Muito obrigada!

Quando eu escrevi sobre o relacionamento abusivo que eu tive, escrevi porque estava sentindo um misto de felicidade, empatia e revolta pelo caso da Emily. Minha história não dói mais, mesmo que eu ainda tenha feridas, mesmo que algumas cicatrizes jamais sumam. Não dói. Mas nos últimos dias doeu. Eu realmente estava mexida. Pela história da Su Tonani, pelo depoimento de gravei para Record sobre assédio no trabalho, por ter visto a matéria, por casos de feminicídio nos noticiários, pelo cara do BBB não ter saído no paredão, por enxergar que muitas vezes nossa sororidade é seletiva e que algumas de nós insistem em ser rivais, pelo gaslighting sofrido semana atrás e por fim, pela expulsão do agressor do reality show.

Vi um mar de gente crucificando uma menina de 20 anos, porque ela estava defendendo um homem violento. Precisei contar aqui o que vivi de perto, precisei que passei por maus bocados até entender o que eu tinha sofrido naquela casa. Eu também tentei proteger meu agressor. E não,não foi por amor. Não foi por pena. Não foi por “não ter vergonha na cara”. Fiz por medo, vergonha, culpa e porque é assim que a violência psicológica funciona. Ele te faz crer que você está errada, que você precisa dele, porque só ele pode te proteger.

Mas eu simplesmente não imaginava o carinho que receberia. Convivo com essa história há seis anos e nunca, nunca mesmo, tanta gente veio me abraçar. Eu senti cada carinho, cada palavra de apoio, cada frase de encorajamento.

Eu sou a chata reservada, que não fala da vida pessoal porque não gosta e por respeito aos envolvidos. Não falo de ex, mesmo que as vezes eles banquem os babacas, por respeito e consideração. Mas essa história eu preciso repetir por aí. Contei aqui no Facebook no ano passado. Contei para amigos ao longo do tempo. Contei para pessoas com quem saí. As expressões sempre foram as mesmas:

:-O . Muitos julgaram: “mas você não denunciou?”

Sim, seis anos depois, algumas pessoas ainda me julgam. É preciso uma força danada para vir até aqui e botar meu bumbum na janela. E fiz isso porque eu não queria que apontassem o dedo para aquela menina. Eu não quero que apontem o dedo para ninguém.

Quis ajudar e fui abraçada e acarinhada de uma forma que não imaginei. Mas a melhor parte de tudo foi receber uma enxurrada de histórias parecidas com a minha. Muitas de nós reconheceram que foram vítimas de abusos, se reconheceram VÍTIMAS, e não culpadas! Muitas conseguiram se abrir a primeira vez sobre isso. Muitas ainda com medo, só me disseram que uma dia querem poder superar. Saber que para cada uma delas fui um afago me deixou mais forte.

Para mim, isso não tem preço. É por isso que eu luto e levanto bandeiras. É por isso que vou insistir que a sororidade é o caminho. Não somos rivais, gurias. Não somos. 
Precisamos nos abraçar, nos apoiar e não deixar que continuem por aí perpetuando essa ideia que estamos competindo umas com as outras o tempo todo. 
Precisamos entender que o cara que fala mal ou revela intimidades da ex é um abusador. 
Que o homem que compartilha nudes é um abusador.
Que o cara que pega forte no teu braço é um abusador.
Que o cara que te humilha e te faz acreditar que não é capaz é um abusador.
Que o homem que reclama da tua roupa é um abusador.

Enfim, não era para ser um textão. Era só para agradecer o carinho e apoio de cada um de vocês.

❤ Muito obrigada por tudo!

#nãopassarão

Relato da violência doméstica
https://www.facebook.com/kellykrishna/posts/10155119981304098