Aceitar e incluir não são a mesma coisa.

Em todos os meus 3 anos e meio de formação na academia tive a concepção de que Educação Inclusiva se limita à educação especial. Felizmente, após um diálogo, consegui abranger meus pontos de vista e agora relaciono essa modalidade a um público alvo muito maior: todo o alunado. Desde o aluno portador de deficiência, ao negro, a menina, ao indígena, ao homossexual... A inclusão está também à par da diversidade e do gênero, está relacionada a todas as minorias que nós como educadores temos o dever de acolher e empoderar.

Werneck (1993) afirma que “evoluir é perceber que incluir não é tratar igual, pois as pessoas são diferentes! Alunos diferentes terão oportunidades diferentes, para que o ensino alcance os mesmos objetivos. Incluir é abandonar estereótipos” (p.56).

A inclusão efetiva no ambiente escolar não se dá somente ao assistir ao aluno com necessidades especiais, e assistir com menos intensidade os alunos que não estão sob essa condição. Isso estaria ligado mais a exclusão. Ao abandonar esteriótipos supõe-se que saibamos construir uma interação entre as realidades presentes na sala de aula, e isso não será concretizado com mais ou menos atenção para qualquer que sejam os lados. Todos precisam do olhar crítico e acolhedor, o qual os educadores possuem no âmbito escolar.

Ao nos assegurarmos do posicionamento valorativo nas nossas práticas, teremos a inclusão como consequência, um processo que não inviabiliza nenhuma máscara diante das visões de mundo que nos estão dispostas. Visões de mundo essas que, no tocante do empoderamento, devem ser reafirmadas e valorizadas no sentido de reconhecimento como sujeito social.

Queremos que nosso aluno surdo tenha plena acessibilidade, sociabilidade e aprendizagem, mas garantimos isso a ele? Garantimos o direito de escolha, o poder da voz e da empatia para com todos?

E a nossa aluna, que é oprimida por ser menina? Não pode brincar com brinquedos masculinos? Não pode ter amigos meninos? Não deve ter certo comportamento porquê não condiz com as virtudes femininas que a sociedade impôs?

E o nosso aluno negro, que não se sente parte do meio em que está inserido porque o que ele vê no espelho não é o que ele vê na mídia? Seu comportamento, suas relações, seu rendimento, estão sendo levados em conta a partir desse ponto de partida?

Se nossas práticas pedagógicas garantirem a emancipação e o desprendimento de esteriótipos dentro da sala de aula, certamente conseguiremos disseminar as concepções de que somos todos iguais em nossas diferenças, que são importantes e devem ser valorizadas. A diversidade não pede normalidade, pede interação e respeito mútuo. A escola sendo um local de construção do sujeito para a atuação na sociedade, e o educador tendo o papel de mediar e instaurar o senso crítico nos educandos, é um grande desafio saber correlacionar todos esses mundos e acolher cada um em sua singularidade.