Você sabe como eu sou.

Até que ponto mudar a si pelo outro, e mudar o outro para si é permitido?

Ao mesmo tempo que mudar nos proporciona novas e (talvez) melhores experiências, também nos intimida e nos estagna. Quando essa mudança parte de nós mesmos, de dentro, das nossas necessidades para o crescimento e evolução; chegar a outro nível nos deixa levemente satisfeitos porque simplesmente saímos de onde estávamos. Mas, ao passo que caminhamos, podemos também nos acomodar nos próximos níveis. É questão de ponto de vista, você está onde você se coloca.

Mudar pelo outro requer aceitação de si mesmo e coragem para o novo. Ao passo que entende-se essa mudança como bem comum, não sendo unilateral e beneficiando uma relação assimétrica; a culpa e a angústia de deixar para trás vestígios seus que não lhe cabem mais, não pesarão tanto. Mudar pelo outro assusta e também liberta.

No tocante de mudar o outro para si, o ponto continua sendo o benefício para o bem comum, mas o que está cada vez mais visível é a manipulação e abuso do poder para com o outro.

Quantos de nós não conhecemos casos que cabem nessa colocação, no que se refere aos relacionamentos abusivos, por exemplo?

“Você sabe como eu sou, por isso precisa me aceitar dessa forma.”
“Você deve aceitar minha personalidade e acreditar quando digo que só estou preocupado com seu bem estar e companhias. Não deve distorcer minhas palavras e me interpretar mal, sentir-se angustiada para quê? Depois verá que estou certo. Não duvide.”
“Será que poderia me compreender e perceber que esse é o meu jeito e que nunca pensei em mudá-lo? Por quê eu mudaria? Estou bem assim.”

Mudar o outro para si, se não for conveniente para ambos, é violência, maldade, corrupção. É não ser capaz de conviver e compreender o próximo, de desconstruir e reconstruir o seu eu para seu crescimento pessoal. É não saber relacionar-se, e é também não merecer receber o que precisa.