Como ter um bom dia?

A partir da Psicologia e das neurociências¹ Carolina Webb nos ajuda a ter um dia melhor. Caroline inicia por apresentar algumas hipóteses como: A) nós funcionamos simultaneamente com dois sistemas concorrentes o sistema deliberado e o automático, o primeiro lento e racional, o segundo rápido e instintivo (O que Freud já antecipa no século XIX.), B) nosso corpo se interliga de várias formas, por exemplo, se alguém está feliz sorrir, e mesmo que esteja triste, se sorrir pode ficar feliz (Freud também antecipa isso com sua psicossomática). C) nos movemos constantemente em um eixo defesa-descoberta, ou seja, preparados para um ataque e simultaneamente buscando situações novas.

Caroline também destaca sete princípios: prioridade, produtividade, relacionamentos, pensamento, influência, resiliência, energia.

A partir desses pilares a autora destaca a importância de ter objetivos claros para cada dia e de simultaneamente eliminar possíveis distrações que não contribuam para a realização desses objetivos. faça isso utilizando metas de abordagem (ou seja, linguagem afirmativa, exemplo: quero aumentar em 10% o número dos meus clientes) invés de metas evitáveis² (do tipo não quero perder clientes). Também é fundamental ter um plano “e quando”, nesse você porá as etapas do que irá fazer. exemplo: quando acordar vou meditar, alongar e ler, depois (…).

Mantenha o foco. Para isso, sente-se em um local confortável e observe sua respiração até que você esteja tranquilo. então pegue papel e lápis e organize suas atividades. Mais duas dicas importantes para manter o foco: A) divida suas maiores tarefas em partes menores. B) a cada 90 minutos dê pausas³. O ponto A vão te ajudar no sentido de ter foco em algo mais simples,por exemplo, comprar um apartamento pode ser uma atividade estressante e de difícil manutenção do foco, já ligar para o vendedor é uma atividade simples, então invés de colocar a tarefa do dia como “comprar apartamento” você pode colocar ligar para o dono pedindo que mande por email as especificações do apartamento”. O ponto B também é importante, pois nosso foco diminui ao longo do tempo e pausas são fundamentais.

Melhore seus relacionamentos*. Para isso crie conexão com as pessoas, faça perguntas sobre suas vidas, demonstre interesse genuíno. Se você não conseguir criar conexão com as pessoas em um ambiente provavelmente o tempo que você utilizará ali será mal gasto. Aristóteles já dizia, somos seres sociais, se você não gosta ou não consegue se vincular as pessoas de um ambiente, talvez seja a hora de fazer as malas.

Utilize a árvore dos problemas na qual o problema central é o tronco e a partir dele vão surgindo várias outras ramificações, possibilidades, problemas, soluções. nas folhas você terá dezenas de alternativas. Desenvolva também uma rotina versátil de enfrentamento dos problemas. Diante do obstáculo, você pode, por exemplo, perguntar: O que posso fazer agora? O que posso fazer daqui uma semana? O que de pior pode acontecer?

Aprenda a auto motivar-se em situações difíceis. O primeiro passo é se afastar da situação, ainda que em pensamento. Discussão na reunião? Que tal sentar-se mais afastado e pensar na praia? ou ir ao banheiro? Deois lembre-se de situações difíceis nas quais você foi bem sucedido, ou lembre-se de algum ídolo seu e pense, como ele faria agora? Bom dia!

¹ À época da publicação talvez a autora ainda não conhecesse o projeto reproducibility project liderado por Brian Nosek que reproduz pesquisas científicas, demonstrando a fragilidade de muitas delas (inclusive algumas citadas por Caroline). Escrevi um texto sobre esse projeto no wordpress.

² O que foi baseado em uma pesquisa que lembra muito a PNL de Grinder e Bandler, que defende usar uma linguagem afirmativa, com sim. Pois o cérebro seria incapaz de processar “não” de acordo com esses autores.

³ Esse número foi baseado nas pesquisas do psicólogo K. Anders Ericsson que identificou esse tempo de descanso no estilo de vida de pessoas altamente eficientes.

* A socióloga Lauren Rivera da Northwestern University perguntou a gerentes de recrutamento sobre suas contratações mais recentes. A descoberta foi que 74% dos entrevistados admitiram acreditar ter algumas coisas em comum com os novos contratados, seja baseado em interesses como esportes, tecnologia ou alguma outra coisa ( o que a PNL e seu conceito de espelhamento já antecipara).