Relatos

Sentou-se no parapeito do prédio

Havia esquecido de tomar seus remédios,

Olhou para o sol que brilhava

Enquanto seu subconsciente se procurava

Olhou para o céu

Olhou para o chão

E sua irrelevância

Amassou seu coração


Dias perdidos

Sangrando em pequenos cortes

Sob sortes aleatórias de um coração ferido

Que faria pactos de sangue

Sem medo da morte


Laços arrancados e jogados

Sobre a mais próxima lixeira

Chorando pela dor de ter acreditado

Em mentiras que sempre soaram verdadeiras


Então engoliu, em seu dia dia

Uma por uma, porções de agonia

Alegrias vencidas que trouxeram o fel à sua boca

E a mente cansada

Por ter sido chamada de louca


Um coração machucado

com uma mente perturbada

Que ainda mente, dizendo não sentir nada

Carregando tudo que sente com as janelas fechadas


Tudo um dia acaba


E o mundo então, desmoronou

Com os olhos empoçados

Não se lembra a primeira vez que chorou

Por amor, por alguém

Talvez por medo, de viver sem ninguém,

Em segredo


Quando a insônia atacava

E se via olhando o escuro

Sentia o coração indeciso

Chorando em cima do muro

Com medo da solidão

Com medo de se perder

Buscando respostas sem questão

Quase se esquecia de bater


Enquanto a noite entrava

Madrugada adentro

Sozinho ficava

Com seu sofrimento

Ninguém lhe entenderia

Nem teria porque entender

Já que o ele viva

Somente ele poderia viver.