Emojis ou O que é ser eu?

Esse final de semana, a minha mãe, uma mulher de 55 anos, foi visitar o meu avô na praia, que é onde ele mora a vida toda. Na volta ela chama eu e meu irmão e dá uma caneca pra cada um, e fala: “achei a cara de vocês”.

“a minha cara” - pensei o que exatamente poderia ser a minha cara, e não esperava nada parecido com isso: uma caneca com aquele emoji piscando ;)

Eu não entendi direito e perguntei pra ela por que aquilo era a minha cara, e ela disse que até meus tios disseram que eu tô sempre piscando, levantando a sobrancelha e fazendo palhaçada. Eu me veria como o emoji triste, o emoji confuso, o emoji com cara de paisagem, mas essa é a percepção que a minha família tem de mim, essa é uma versão minha que nem eu mesmo tinha muito conhecimento. Isso faz eu me questionar do quanto eu me entrego a cada situação e o quanto as pessoas realmente me conhecem, ou o quanto eu deixo que elas conheçam sobre mim.

Esse é meu primeiro texto aqui, e essa não era bem a primeira impressão que eu queria causar, mas né, a vida toda a minha família me viu de um jeito que inclusive eu não via, então o que é uma primeira impressão se nem quem me conhece há 25 anos sabe quase nada sobre mim?

Vai ver eu sou mesmo o emoji piscando, afinal foi minha mãe quem disse - e tá dito. O grande buraco que essa situação abriu na minha cabeça é a certeza de que eu mesmo desconheço todos os dias quem eu sou.

(segue a imagem mais tosca que vocês vão ver hoje)