O vento que me trouxe até aqui

Todos os dias, penso em ti.

Todos os dias, vejo o pedaço do céu que me restou.

Todos os dias, mantenho-me atarefado.

Todos os dias, sinto que ele está próximo.

O dia que livre nos sentiremos.

Livres desta dor, livres desta solidão que nos mata aos poucos.

Vivemos em meio à multidão, multidão solitária de cegos.

Sinta nesses versos a minha dor.

Contudo, o amor os envolve.

Amor que resiste a tudo, a todos e persevera.

Mesmo diante da morte da esperança.

Queima forte e neste cofre fundo espera.

Trancado por cadeados e cercado por arame.

Resiste em meu peito na certeza do eterno existir.

Sabendo que um dia irá sair.

Entre grades, perdido em vozes, vagueando só.

Caminho, explorando cada centímetro já visto.

Continuo andando, zanzando entre muros.

Corro, busco o vento, nada encontro apenas pó.

Continuo só.

Assim é melhor. Os sons estão por todos os lados.

O pó está por todo, o vento não.

Há quatro lados que me prendem! Maldito cadeados!

Tudo isto é em vão.

Fiquem com este corpo condenado.

Retenham este ser que de fato sofre.

Torturem e matem o corpo, pois é tudo que tem.

A mente é livre e segue em frente.

Façam o que quiserem, ou tentem.

Mas, a vida viva, eu tenho em mente e a almejo.

Pois o pensamento vive e a liberdade é recorrente!

Tudo passa e tudo muda.

Este vento passará.

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