Retrato de um momento de guerra
Boom, boom, boom!
Bombas explodem meu crânio.
Sódio, nitrogênio e estanho destroem-me.
Oxidando vivências, construindo meu antro.
Apodrecendo quem sou, como vermes insanos.
Eu caminhando sozinho, sou uma legião de caminhos.
Onde pegadas deixaram meus pés,
A energia explodiu em minhas cordas vocais:
Será um desgraça nascermos humanos?!
Tanto ego, todos cegos, corpos vazios etiquetados.
Nesta vitrine de shopping, eu vislumbro a morte.
Mas quem quer morrer não consegue.
Continuam a ser empurrados a este doce amargo
Carros, mulheres e festas a preços bem variados.
O que vale você? De que vale viver?
Mas sigo vivendo a guerra.
Não se enche de mortos a terra.
Embora irmãos como a gente,
se esvaem em sangue e murmúrios ao vento.
Eu grito, berro, eu choro e eu guerro!
Correndo o tempo todo. Correndo eu quase morro.
Eu mato! É fato! Não se oponha a mim.
Mas não se faz necessário que ache ruim.
Eu não quero pisá-lo, eu não quero matá-lo.
Eu quero a paz, sonho com o amor.
Sonho com todos se ajudando.
Sem egoísmo, ou sedentos de ganho.
Eu quero uma vida feliz.
E sei que um dia você também quis.
