Retrato de um momento de guerra

Kelvis Ribeiro
Aug 28, 2017 · 1 min read

Boom, boom, boom!

Bombas explodem meu crânio.

Sódio, nitrogênio e estanho destroem-me.

Oxidando vivências, construindo meu antro.

Apodrecendo quem sou, como vermes insanos.

Eu caminhando sozinho, sou uma legião de caminhos.

Onde pegadas deixaram meus pés,

A energia explodiu em minhas cordas vocais:

Será um desgraça nascermos humanos?!

Tanto ego, todos cegos, corpos vazios etiquetados.

Nesta vitrine de shopping, eu vislumbro a morte.

Mas quem quer morrer não consegue.

Continuam a ser empurrados a este doce amargo

Carros, mulheres e festas a preços bem variados.

O que vale você? De que vale viver?

Mas sigo vivendo a guerra.

Não se enche de mortos a terra.

Embora irmãos como a gente,

se esvaem em sangue e murmúrios ao vento.

Eu grito, berro, eu choro e eu guerro!

Correndo o tempo todo. Correndo eu quase morro.

Eu mato! É fato! Não se oponha a mim.

Mas não se faz necessário que ache ruim.

Eu não quero pisá-lo, eu não quero matá-lo.

Eu quero a paz, sonho com o amor.

Sonho com todos se ajudando.

Sem egoísmo, ou sedentos de ganho.

Eu quero uma vida feliz.

E sei que um dia você também quis.

)

Kelvis Ribeiro

Written by

Estudante de psicologia, peixariano, boêmio e poeta nas horas vagas.

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